sábado, 23 de dezembro de 2017
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Promulgação do OE para 2018
NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP
Sobre a promulgação por parte do Presidente da República do Orçamento do Estado para 2018
1. O Sr. Presidente da República anunciou hoje a promulgação do Orçamento do Estado para 2018. Para o PCP, a apreciação do Orçamento tem de ser feita a partir do seu conteúdo concreto, do sentido das suas medidas e naturalmente das opções que são feitas perante a necessária resposta aos graves problemas nacionais.
Para o PCP, o Orçamento do Estado para 2018 consolida todos avanços alcançados nos anos anteriores e avança, fruto da persistência e intervenção do PCP e da luta dos trabalhadores e do povo português, com novas medidas de sentido idêntico. Descendo o IRS, aumentando as pensões, reforçando o apoio social aos desempregados, às crianças, às pessoas com deficiência, alargando a gratuitidade dos manuais escolares, repondo o direito à progressão nas carreiras e o pagamento por inteiro do trabalho extraordinário e nocturno, apoiando pequenos empresários, agricultores e pescadores. Medidas que marcam o sentido da política que o País precisa.
2. Quem se preocupa com as condições de vida dos trabalhadores e do povo e com o futuro do País tem de valorizar os avanços alcançados com este Orçamento. Mas não pode ignorar também que o mesmo Orçamento, globalmente, está longe de corresponder ao que é necessário para ultrapassar os problemas do País e à degradação das condições de vida provocada pela política de direita da responsabilidade de sucessivos governos PS, PSD e CDS.
Dívida, Euro, regras e política da União Europeia pesam de forma particularmente negativa, mesmo para lá das exigências externas. Nos limites e insuficiências do Orçamento do Estado para 2018, estão bem visíveis, as opções estruturais do PS e que convergem com opções e práticas do PSD e CDS.
3. Na mensagem que acompanhou a promulgação do Orçamento para 2018, o Sr. Presidente da República opta por sublinhar, mais do que a resposta aos problemas e aspirações dos trabalhadores e do povo, a necessidade de prosseguir um caminho de submissão às imposições externas que são um constrangimento ao desenvolvimento do País. Para o PCP, mais do que o risco de um futuro orçamento eleitoralista, a questão que se coloca, é a da necessidade de adoptar um rumo que valorize os salários, a produção nacional, o investimento e os serviços públicos, o desenvolvimento soberano do País. É nesse sentido que o PCP continuará a intervir.
4. Para o PCP a resposta aos problemas do País não está no regresso a um passado de agravamento da exploração e do empobrecimento, não está na continuação da política de direita seja pela via do PS, seja por via do PSD ou do CDS, seja ainda em torno de um aclamado consenso entre estes partidos que consagraria tal política. A resposta aos problemas do País precisa de uma ruptura com a política de direita e a adopção da política patriótica e de esquerda que o PCP propõe ao povo português.
INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL, CICLO DE CONFERÊNCIAS 153 ANOS DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS – OS COMPROMISSOS DE PORTUGAL COM A EUROPA
«Nada pode obrigar Portugal a renunciar ao direito de optar pelas suas próprias estruturas socio-económicas e pelo seu próprio regime político»
Minhas senhoras, Meus senhores,
Gostaria de agradecer o convite que me foi dirigido pela Direcção do Diário de Notícias para participar nesta conferência sob o tema “Que Europa queremos?”, uma reflexão que considero de grande importância e actualidade, sublinhando, desde logo, que não é uma e mesma coisa questionar sobre “que Europa queremos” ou sobre “que União Europeia queremos”, pois a Europa e a União Europeia são realidades evidentemente distintas, nem tão pouco aceitamos enclausurar a primeira na segunda.
Considero que para responder à questão colocada é essencial responder a questões que julgo prévias e a ela associadas, nomeadamente: como se caracteriza a actual situação na Europa? Que implicações tem esta situação para Portugal? Como Portugal pode contribuir para a Europa por que aspiramos? É através da resposta a estas questões que procurarei contribuir para a reflexão proposta.
Na nossa reflexão, consideramos que a actual situação na Europa continua marcada pelo que caracterizamos como uma crise na e da União Europeia – uma crise que não só é expressão da crise estrutural do capitalismo, como da natureza do próprio processo de integração capitalista europeu, que está correlacionado e é indissociável daquela.
Passada uma década após o pico de crise que eclodiu em 2007/2008, a União Europeia não só não superou suas graves consequências, como insistiu e acentuou os factores e as políticas que estão na origem da reprodução da crise e viu evidenciarem-se e agudizarem-se as suas contradições – de que o referendo que determinou a saída do Reino Unido constitui elemento particularmente significativo.
Saliente-se que a resposta da União Europeia à crise, designadamente à crise da União Económica e Monetária, representa, entre outros gravosos aspectos, um brutal incremento no processo de privatização de empresas públicas de sectores estratégicos, na investida contra direitos laborais e outros direitos sociais, na degradação dos serviços públicos e das funções sociais do Estado – particularmente nos países da denominada “periferia”, vulneralizados por décadas de Mercado Único e pela sua integração no Euro, que se traduziram em mais dependência, desprotecção dos seus povos e divergência económica e social.
Os denominados “programas de assistência financeira”, especificamente aplicados – como aquele que se impôs a Portugal e que caracterizámos como um Pacto de Agressão contra os trabalhadores, o povo e o País, acordado pelo PS, PSD e CDS com a União Europeia, o BCE e o FMI –, constituíram e constituem instrumentos de imposição de violentas medidas de empobrecimento e exploração – quer sobre o trabalho quer sobre os recursos públicos – e de sujeição de Estados – por via do endividamento – a uma permanente ingerência, pressão e chantagem. Denominados “programas de resgate” que não só serviram para defender os interesses das grandes potências e financiar os seus sistemas financeiros, como, por vezes, representaram autênticas experiências de um mais severo quadro ao nível da União Europeia.
Privados de instrumentos soberanos de política monetária – sem moeda própria, sem um banco central emissor e prestamista de último recurso que possa, se necessário, assistir o Estado e o sistema financeiro –, países da chamada “periferia” da Zona Euro, encontram-se mais expostos perante o aprofundamento da crise, a especulação dos denominados “mercados financeiros”, as avaliações das ditas “agências de notação” e as políticas da União Europeia ditadas pelas suas grandes potências e determinadas pelos interesses do capital transnacional.
Medidas como a baixa taxa de juro ou a liquidez fornecida pelo BCE não se traduzem, no essencial, em mais investimento e dinamização do mercado interno, como tendem a gerar novas dinâmicas especulativas. As dívidas públicas de alguns países continuam a atingir grandes proporções, constituindo um significativo obstáculo ao financiamento dos Estados e ao investimento público. Os necessários estímulos orçamentais são dificultados pelos severos e gravosos constrangimentos e condicionalismos da União Económica e Monetária.
Uma realidade que confirma que o Euro não é sobretudo um problema económico ou “técnico”, mas uma questão fundamentalmente política.
Perante a sua crise, a União Europeia utilizou-a para impulsionar um maior aprofundamento da União Económica e Monetária, com a consequente vinculação e alienação de competências soberanas de Estados face a espaços e instituições supra-nacionais da União Europeia.
O Tratado Orçamental, a “Governação Económica”, o “Semestre Europeu”, a “União Bancária”, a aplicação de condicionalidades macroeconómicas na utilização de meios financeiros da União Europeia ou a “Estratégia UE 2020”, determinam acrescidos mecanismos de controlo e de condicionamento das políticas orçamentais e económicas dos Estados com economias mais vulneráveis e dependentes – sempre em benefício do capital transnacional. Veja-se como, por via das chamadas “reformas estruturais”, a União Europeia tenta recorrentemente intervir em matérias como salários, legislação laboral, serviços públicos ou segurança social.
A resposta da União Europeia à crise não só não resolveu nenhuma das contradições que lhe são inerentes, como as acentuou. Tais como: a contradição entre os interesses dos trabalhadores e dos povos dos diferentes países que integram a União Europeia – cujos direitos são crescentemente colocados em causa – e os interesses do capital transnacional – cuja a insaciável necessidade de acumulação e centralização de capital determina o processo de integração; a contradição entre a profunda aspiração à decisão soberana e democrática por parte de um povo quanto ao seu presente e futuro, e um processo de integração que concentra o poder em instituições supra-nacionais dominadas por grandes potências e pelo capital transnacional e que confronta e desrespeita a soberania e a independência de Estados; ou a contradição entre os interesses dos países da chamada “periferia” e os interesses das grandes potências da União Europeia, e entre os diferenciados interesses de cada uma delas.
É neste quadro que a União Europeia se lança uma vez mais e vertiginosamente no aprofundamento do seu carácter federalista, neoliberal e militarista – pilares que definem a matriz e natureza deste processo de integração – ressurgindo ambiciosas e estafadas intenções, objectivos e planos, cujo acordo e/ou concretização é anunciada até Junho de 2019.
É desta forma que ressurge o aprofundamento da União Económica e Monetária – com o contínuo incremento da liberalização do Mercado Único, a criação de um “FMI” dito europeu, a criação do denominado “ministro das finanças e da economia“ ou a sempre anunciada finalização da União Bancária. Ressurge a incessante descaracterização do orçamento comunitário – enquanto instrumento das tão propaladas, como falsas, “convergência” e “coesão económica e social”. Ressurgem propostas para assegurar a precedência dos interesses das grandes potências da União Europeia nos processos de privatização, aquisição ou fusão face a outros países. Ressurgem os tratados de livre comércio – agora tendo como bitola o denominado CETA. Ressurge o aprofundamento da militarização da União Europeia – como pilar europeu da NATO e de forma dita “complementar” a este bloco político-militar. Ressurge uma política de imigração e para os refugiados – profundamente discriminatória, exploradora e desumana. Ressurge a diminuição das votações por unanimidade no Conselho – com a sua passagem para maioria qualificada. Intenções, objectivos e planos – entre tantos outros –, cujo conteúdo e concretização final será, como sempre, determinado e decidido em função da preservação da União Europeia como instrumento para assegurar o domínio político e económico das grandes potências – particularmente, da Alemanha – e a imposição da prevalência dos interesses dos seus grandes grupos económicos e financeiros.
Sublinhe-se que nenhuma das medidas até aqui avançadas pelas instâncias da União Europeia – incluindo esse embuste chamado “Pilar Europeu dos Direitos Sociais” – colocam em causa o cerne das suas políticas e orientações: de fomento do retrocesso social; de salvaguarda dos grandes grupos financeiros à custa do erário público; de assalto aos países denominados da “periferia”, nomeadamente pela sua dependência e endividamento; ou do autêntico “colete-de-forças” que representam o Tratado Orçamental, a “Governação Económica”, o “Semestre Europeu” ou a “União Bancária” para a soberania de países – entre outros numerosos exemplos. Pelo contrário, o que se vislumbra é precisamente uma investida tendo em vista o reforço destas mesmas políticas e orientações.
Ao mesmo tempo e como sempre se verificou, as instâncias da União Europeia fazem acompanhar este novo passo na “integração europeia” propalando mistificações – para dissimular os seus reais objectivos; brandindo “ameaças” e “perigos” – para fomentar sentimentos de insegurança e estados de receio; aliciando com “mundos e fundos” – para propiciar a abdicação e alienação da soberania nacional e a consequente condenação à dependência económica e à subalternidade política.
Das políticas comuns ao Mercado Único, do Acto Único a Maastricht, de Amesterdão a Nice, da derrotada “Constituição Europeia” ao recauchutado e infligido Tratado de Lisboa, do Euro e do Pacto de Estabilidade ao Tratado Orçamental – trinta anos de desenfreados saltos no processo de integração capitalista europeu comprovam que cada novo salto de índole federalista constituiu (e constituirá), na sua substância, acrescidos condicionalismos e constrangimentos à soberania de Estados e reforçados instrumentos de imposição de políticas e medidas que atentam contra direitos e anseios dos trabalhadores e dos povos.
Isto é, a “mais Europa”, ou sem eufemismos, a “mais União Europeia” que é tanto proclamada, significa, afinal, uma mais grave regressão de direitos laborais e de outros direitos sociais, o aumento da concentração e centralização da riqueza e o agravamento das desigualdades sociais e das assimetrias de desenvolvimento entre os diferentes países; significa, afinal, o fomento do militarismo e a intensificação da ingerência contra Estados soberanos e os seus povos e o empobrecimento da democracia; um crescente desrespeito de direitos humanos, de que é chocante exemplo a forma como age com os muitos milhares de imigrantes e refugiados de guerras de agressão, relativamente às quais a União Europeia é conivente e patrocina; significa o aprofundamento de políticas que abrem espaço de acção e alentam o crescimento da extrema-direita e do seu nacionalismo xenófobo e reaccionário.
Minhas senhoras, Meus senhores
Para o PCP, a actual situação em Portugal reflecte problemas acumulados ao longo de décadas de política de direita e de integração na União Europeia.
Política de direita e processo de integração na União Europeia que, interligados, conduziram o País a uma situação de crescente fragilização e subalternização.
Crise, perversão do regime democrático, definhamento económico, retrocesso social e aumento da exploração,, empobrecimento cultural e degradação ambiental, acentuação do carácter periférico e dependente do País – são traços que decorrem de um processo que ameaça seriamente a soberania e independência nacionais, que compromete o presente e o futuro do País e que urge ser interrompido e superado.
Crise, perversão do regime democrático, definhamento económico, retrocesso social e aumento da exploração,, empobrecimento cultural e degradação ambiental, acentuação do carácter periférico e dependente do País – são traços que decorrem de um processo que ameaça seriamente a soberania e independência nacionais, que compromete o presente e o futuro do País e que urge ser interrompido e superado.
Sujeito ao duplo garrote do “défice” e da “dívida pública” e confrontado com a inexistência de instrumentos de política monetária, cambial e orçamental, Portugal passou por um longo período de estagnação económica desde a adesão ao Euro em 1999.
Uma situação que se degradou de forma mais acentuada com um violento processo de “ajustamento” a que Portugal foi sujeito e que teve consequências económicas e sociais devastadoras.
Uma realidade que foi e é agudizada por importantes constrangimentos que comprometem um efectivo desenvolvimento do País, designadamente: uma moeda - o Euro - , desfasada e crescentemente em confronto com os interesses nacionais; uma dívida insustentável; uma banca dominada pelo grande capital.
Tendo sido possível interromper a política de aguda destruição conduzida pelo anterior governo do PSD e CDS e abrir uma nova fase na vida política nacional, capaz de fazer avançar medidas para responder a alguns dos problemas mais sentidos pelo povo português – ainda que aquém do que seria possível e necessário –, a situação do País continua, no entanto, profundamente marcada pelas consequências de décadas de política de direita, de integração na União Europeia e pelo domínio monopolista da economia nacional, como são os agravados défices estruturais existentes no plano produtivo, energético, científico, alimentar e demográfico.Demonstrando a actual situação nacional que pode haver outro caminho que não o de mais exploração, liquidação de direitos e empobrecimento, esta evidencia igualmente o carácter crescentemente inconciliável entre os condicionalismos impostos pela União Europeia e o Euro e uma política que aprofunde o caminho de reposição de direitos, de aumento de salários, das reformas, pensões e apoios sociais e de desenvolvimento soberano.
Para o PCP, a actual fase da vida política nacional, sem prejuízo das possibilidades que abre e que não devem ser desperdiçadas, evidencia ainda mais o indispensável objectivo de ruptura com a política de direita e a necessidade de uma outra política – uma política patriótica e de esquerda - que o PCP considera indispensável para libertar o País das limitações e constrangimentos que bloqueiam o seu desenvolvimento.
Uma política que, como temos afirmado, pela sua dimensão patriótica, inscreve a soberania e independência nacionais como objectivo central, afirmando o direito inalienável do poder de decisão do povo português sobre as opções e orientações indispensáveis para as concretizar, e a prevalência dessa vontade soberana sobre todos e quaisquer constrangimentos e imposições externas.
Uma política que tem como elementos decisivos: a libertação do País da submissão ao Euro e das imposições e constrangimentos da União Europeia; a renegociação da dívida pública; a valorização do trabalho e dos trabalhadores; a defesa e promoção da produção nacional e dos sectores produtivos; a garantia do controlo público da banca, recuperação para o sector público dos sectores básicos estratégicos da economia; a garantia de uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do País; a defesa de uma política de justiça fiscal que alivie a carga fiscal sobre os rendimentos dos trabalhadores e do povo, combata os paraísos fiscais; a defesa do regime democrático e do cumprimento da Constituição da República Portuguesa.
Política patriótica e de esquerda que, na consideração do PCP, representará o melhor e mais efectivo contributo que o povo português e Portugal pode dar para a conquista de uma Europa que rompa com o federalismo, o neoliberalismo e o militarismo da União Europeia e afirme uma europa de cooperação, de progresso social e de paz.
Para o PCP, a internacionalização da economia, a profunda divisão internacional do trabalho, a interdependência e cooperação entre Estados e os processos de integração, correspondem a realidades e tendências que, em função da sua orientação, características e objectivos, podem servir o capital transnacional ou podem servir os povos.
Gostaria de frizar que, do mesmo modo e com o mesmo empenhamento com que rejeita soluções autárcicas e isolacionistas, bem como o chauvinismo, o nacionalismo e o racismo, o PCP recusa alianças e relações redutoras da soberania nacional e empobrecedoras da democracia, e defende uma acção com vista à revisão, anulação ou desvinculação de tratados e compromissos lesivos do interesse nacional e da paz mundial.
Uma das mais fortes exigências que emerge do mundo em mudança em que vivemos, não é de gravosas abdicações de soberania, de empobrecedoras uniformizações e de ampliação da distância entre os centros de decisão e os povos, mas da pujante afirmação da riqueza das diferenças, das identidades nacionais, do reconhecimento do direito das nações a um poder político soberano, da aspiração à igualdade de direitos e a novas formas de cooperação.
Neste sentido, o PCP considera indispensável a afirmação por Portugal de uma política que se desenvolva em seis direcções principais e interligadas:
- Defender sempre firmemente os interesses portugueses, designadamente nas instituições europeias, combatendo decisões que os prejudiquem;
- minimizar com medidas concretas os condicionalismos e consequências negativas da integração;
- lutar contra as imposições supranacionais e as limitações à democracia e à vontade dos povos;
- reclamar e utilizar a favor do progresso de Portugal e do bem-estar dos portugueses todos os meios, recursos e possibilidades;
- agir especificamente e em articulação com os trabalhadores e os povos de outros países para romper com o processo de integração capitalista europeu e promover uma Europa de paz e cooperação baseada em Estados livres, soberanos e iguais em direitos;
- lutar por um desenvolvimento soberano de acordo com os interesses nacionais dos trabalhadores e do povo, cuja concretização deve prevalecer face a condicionamentos ou constrangimentos, assumindo as exigências, caminhos e opções que a situação coloque como necessários.
Para o PCP, nada pode obrigar Portugal a renunciar ao direito de optar pelas suas próprias estruturas socio-económicas e pelo seu próprio regime político. Nada pode obrigar Portugal a aceitar a posição de Estado subalterno no quadro da União Europeia e a alienar a sua soberania e independência nacionais. O povo português tem, e deverá sempre ter, o pleno direito de decidir do seu próprio destino e de escolher os caminhos que entender mais conformes com a sua identidade histórica e com os seus interesses e aspirações.
Eleições na Catalunha
NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP
Sobre as eleições regionais de 21 de Dezembro na Catalunha
As eleições regionais de 21 de Dezembro na Catalunha, realizadas em circunstâncias anormais, antidemocráticas, com destacados candidatos presos ou perseguidos, representam uma séria derrota da política centralista, reaccionária e repressiva conduzida pelo governo minoritário do Partido Popular (que teve um resultado humilhante) e confirma a necessidade de encontrar para a questão catalã, no quadro de uma resposta mais geral para a questão nacional em Espanha, uma solução política que respeite os direitos democráticos e sociais dos cidadãos da Catalunha e os seus sentimentos nacionais.
Uma tal solução compete soberanamente aos povos de Espanha. O PCP condena o apoio que tem sido dado pela União Europeia à política antidemocrática do governo de Mariano Rajoy e insiste em que a posição dos órgãos de soberania de Portugal deve pautar-se pelo respeito estrito da Constituição da República Portuguesa.
O PCP salienta o significado da elevada e histórica participação do povo catalão no acto eleitoral e, considera urgente que sejam anuladas as medidas de inaceitável intolerância antidemocrática tomadas na sequência do referendo de 1 de Outubro contra dirigentes políticos e membros do governo regional da Catalunha.
NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP
É tempo de libertar os CTT da ruinosa gestão privada!
1. A Administração dos CTT tornou público mais um pacote de medidas destinadas a garantir a distribuição de chorudos dividendos aos seus accionistas. Medidas que são consequência de um criminoso processo de privatização que o Governo PSD/CDS culminou, após longos anos de uma preparação que contou com o envolvimento do PS. Anunciam o despedimento de trabalhadores (mais 800), a venda de património e o encerramento de estações e postos. Este pacote soma-se ao que estava já em curso, com a tentativa de despedimento de outros 340 trabalhadores na sequência de uma previsão de lucros para 2017 de «apenas» 19 milhões de euros.
Estamos a assistir ao aprofundar do caminho desastroso aberto com a privatização dos CTT, com os grupos económicos que hoje controlam a empresa a descapitalizá-la, a alienar património, a degradar o serviço a níveis escandalosos. Um caminho que já implicou: um aumento de 47% na tarifa do correio normal desde a privatização; que entre 2009 e 2016 tenham encerrado 564 estações e postos de correios; que largas centenas de postos de trabalho tenham já sido destruídos; que o correio demore hoje mais tempo a chegar ao destino do que demorava há trinta anos; que património tenha sido vendido para suportar o pagamento de dividendos, como aconteceu esta semana com a venda do Palácio da Rua de São José por 23 milhões de euros, permitindo pagar dividendos muito acima do resultado líquido da empresa.
2. Invocam neste documento as quebras na circulação do correio postal para justificar um salto qualitativo no saque à empresa e aos trabalhadores, quando já hoje o serviço público é uma sombra do que foi. O correio chega cada vez a menos pessoas, cada vez mais tarde e cada vez mais caro. E o problema não está no correio electrónico, que a empresa aliás nunca “quis” desenvolver. Nem no número de trabalhadores, que são muito menos do que aqueles que seriam necessários. O problema dos CTT está na incompatibilidade entre o papel estratégico do serviço público que está obrigado a prestar e o objectivo único dos grupos económicos: os seus lucros.
Os objectivos da administração dos CTT são claros e o Governo não pode mostrar desconhecimento sobre a dimensão desta ofensiva, como fez o Primeiro-Ministro no debate quinzenal na Assembleia da República. A serem concretizadas as intenções dos grupos monopolistas, o serviço público postal universal desaparecerá como tal e a destruição da empresa deixará de ser apenas uma possibilidade.
Para o PCP, o Governo não pode permitir a concretização deste plano.
3. Cresce a indignação nacional contra esta privatização, e multiplicam-se as vozes que exigem a imediata reversão da privatização dos CTT, condição necessária para preservar e reconstruir o serviço público postal universal.
Apesar disso, no passado dia 15 de Dezembro, uma proposta do PCP visando a recuperação do controlo público, foi chumbada na Assembleia da República por PS, PSD e CDS, tendo a Assembleia (com os votos de PS, PCP e BE) limitado-se a mandatar o Governo para realizar uma urgente «avaliação e estudo das opções quanto ao contrato de concessão», e das «alternativas, de outra natureza, que se colocam».
Para o PCP, essa avaliação terá que ser urgente e abrangente, incluindo sobre a natureza da propriedade dos CTT. Os custos que o País está a suportar com esta privatização reclamam uma avaliação profunda sobre todas as consequências da continuação deste processo, bem como, a identificação das opções e passos a dar visando a recuperação do controlo público da empresa. E não basta o resgate da concessão do serviço público, como diz o BE. Pois se os accionistas podem prescindir da concessão já o Estado não pode prescindir da empresa para garantir o serviço público, o que exclui também, qualquer opção de entregar a concessão a outro grupo económico privado. Atrasar, empatar, ludibriar a questão de fundo que é a decisão sobre o controlo da empresa, é estar conivente com os interesses do grande capital. É essa a opção que o Governo PS terá de fazer.
4. Da parte do PCP, que há precisamente um ano confrontou o Governo, pela voz do seu Secretário-geral, sobre a degradação dos Correios, a defesa dos CTT não é um episódio na sua intervenção, é um compromisso que prosseguirá e que se assume também na solidariedade com a luta dos trabalhadores que hoje estão em greve e com a luta dos utentes. Uma luta que deve ser intensificada, numa afirmação de confiança na possibilidade de libertar os CTT da gestão privada e de retomar o serviço postal público e universal de qualidade que os CTT sempre prestaram enquanto empresa pública.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
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