segunda-feira, 14 de março de 2016

95 anos de vida e luta por um Portugal mais justo, fraterno e solidário

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL, PORTO, COMÍCIO DO 95.º ANIVERSÁRIO DO PCP

"A gravidade dos problemas na vida dos portugueses exige uma permanente iniciativa e acção do nosso Partido e a luta dos trabalhadores e do nosso povo"

Celebramos neste ambiente de alegria e confiança noventa e cinco anos do nosso Partido Comunista Português.
Noventa e cinco anos de existência de um grande partido nacional que provou ser, na prática, em todas e nas mais difíceis circunstâncias, a força mais combativa e consequente em defesa dos interesses do nosso povo.
Comemoramos o aniversário do nosso Partido no meio de uma intensa actividade e num quadro político complexo e exigente, como exigente foi sempre a luta que os comunistas portugueses travaram, ao lado dos trabalhadores e do povo, desde esse longínquo ano de 1921 que o viu nascer.
Um Partido que nascia, por vontade e decisão da classe operária e dos trabalhadores portugueses, e como corolário da sua luta, do seu amadurecimento social e político, e o materializar do milenar sonho de emancipação dos trabalhadores e de libertação dos oprimidos.
Nascia para ser uma organização diferente e afirmar um projecto político distinto e oposto ao das classes dominantes.
Nascia para concretizar uma intervenção autónoma da classe operária como sujeito histórico de transformação social e construir uma sociedade nova, liberta da exploração do homem por outro homem – o socialismo e o comunismo.
Nasceu e honrou no percurso da sua vida esses desígnios fundadores, mantendo e defendendo o seu traço distintivo, a sua identidade, firme no seu ideal, que não abandona os seus princípios, que assenta a sua intervenção e acção na sua ideologia – o marxismo-leninismo – sempre enriquecido pela experiência e pela vida.
Partido que, perante a implementação do regime fascista, quando todos os partidos desistiram, autodissolveram-se ou foram dissolvidos, prosseguiu nas duras condições da época o seu, a sua resistência até que Abril fosse uma realidade.
Nove décadas e meia que nos separam, e olhando para o percurso percorrido vemos um Partido com uma história notável, uma trajectória sem paralelo em defesa da liberdade, da democracia, por um projecto de futuro, ligando gerações de intrépidos combatentes, travando pequenas e grandes lutas e sempre presente nos momentos decisivos da vida do nosso País.
Partido da resistência antifascista. Partido da Revolução de Abril e das suas conquistas. Partido da resistência contra a política de direita e de recuperação capitalista. O Partido das grandes causas e de todos os combates contra a exploração, a opressão e as desigualdades, sempre presente nos momentos de resistência, transformação e avanço.
Partido que desde a sua criação foi sempre capaz, com os trabalhadores, com o povo e a sua luta, de ultrapassar os mais sérios obstáculos, as mais perigosas conjunturas, os mais sérios desafios e de colocar todas as suas forças, o saber e a dedicação dos seus militantes na concretização dos objectivos que melhor serviam o nosso povo e o nosso país.
Um Partido que é o resultado do sacrifício e abnegação dos seus heróis caídos na luta, dos camaradas que ao longo de décadas enfrentaram a repressão e dos muitos milhares que, com uma intensa e dedicada militância, foram suporte de uma excepcional intervenção e que se projecta hoje na vitalidade e força do PCP.
Celebramos noventa e cinco anos do nosso Partido, nutrindo um sentimento de profundo respeito e reconhecimento por essas gerações de comunistas, da qual reconhecemos o papel, a obra, a militância desse grande revolucionário – Álvaro Cunhal!
A todos eles a nossa homenagem, porque eles tinham a consciência de que o Partido Comunista Português continuaria para além das suas próprias vidas.
É este Partido que contou em todos os tempos e foi determinante para fazer andar a roda da história no sentido do progresso, que hoje continua a contar na defesa dos interesses do nosso povo e do País.
Foi com a iniciativa deste Partido que conta na solução dos problemas nacionais, que no seguimento da derrota imposta pelo nosso povo ao governo do PDS/CDS, foi possível encontrar a solução política e abrir a perspectiva do desenvolvimento de uma nova fase da vida do País, e rasgar uma janela que queremos seja de esperança no retomar de um caminho capaz de dar resposta e solução aos graves problemas que o País enfrenta.
Foi com o empenhamento deste Partido, indispensável e imprescindível à vida do País e à defesa dos trabalhadores e do povo, que foi possível tomar já medidas positivas de reposição de direitos e rendimentos extorquidos nestes anos de PEC e de troika.
Nestes escassos meses desde a derrota do governo PSD/CDS, foi possível, ainda que de forma limitada, dar resposta a aspirações mais imediatas dos trabalhadores e do povo que não podem ser desvalorizadas.
Ler mais no sítio do PCP

domingo, 6 de março de 2016

Para melhorar o OE 2016

PCP divulga conjunto de propostas de alteração ao OE 2016

Em três conferências de imprensas, o PCP divulgou as propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2016.
1 - As propostas apresentadas incidem sobre as contribuições para a segurança social dos trabalhadores a recibos verdes, isenção de taxas moderadores para doentes crónicos, integração na carreira para os bolseiros investigação cientifica e propostas de reforço do orçamento para a cultura.
2 - As propostas apresentadas incidem sobre apoio extraordinário a desempregados, a gratuidade dos manuais escolares, redução da taxa máxima do IMI, alteração ao PEC, aumento das pensões e propostas de tributação de grandes empresas, de impostos sobre patrimónios imobiliários e sector energético, bem como proposta para a reversão das Parcerias Público Privado.
3 - As propostas apresentadas incidem sobre o não aumento das propinas no ensino superior, diminuição das contribuições nos subsistemas da ADSE, SAD e ADM, consignação de apoios à agricultura familiar e pesca artesanal e proposta de prorrogação da actividades das amas da segurança social.

95 anos de vida e luta

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL, LISBOA, COMÍCIO COMEMORATIVO DO 95º ANIVERSÁRIO DO PCP

Sempre com os trabalhadores e o povo, pela Democracia e o Socialismo

Sempre com os trabalhadores e o povo, pela Democracia e o Socialismo
Aqui estamos a celebrar os noventa e cinco anos da criação do nosso Partido Comunista Português, com a consciência da nossa própria razão de ser, com a convicção dos nossos ideais e objectivos, num ambiente de grande confiança, vitalidade e esperança no futuro.
Comemoramos, por isso, o nonagésimo quinto aniversário do nosso Partido com a alegria que nos é própria e que resulta de pertencermos a um Partido com uma história ímpar no panorama dos partidos políticos portugueses – um Partido com uma longa vida ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País.
Comemoramos o aniversário do nosso Partido no meio de uma intensa actividade e num quadro político complexo e exigente, como exigente foi sempre a luta que os comunistas portugueses travaram, ao lado dos trabalhadores e do povo, desde esse longínquo ano de 1921 que viu nascer este Partido quase secular e dar um novo salto qualitativo no processo de desenvolvimento do movimento operário português.
Um Partido que nascia, por vontade e decisão da classe operária e dos trabalhadores portugueses, e como corolário da sua luta, do seu amadurecimento social e político e materializar o milenar sonho de emancipação dos trabalhadores e de libertação dos oprimidos.
Nascia para ser uma organização diferente e afirmar um projecto político distinto e oposto ao das classes dominantes.
Nascia para concretizar uma intervenção autónoma da classe operária como sujeito histórico de transformação social e construir uma sociedade nova liberta da exploração do homem por outro homem – o socialismo e o comunismo.
Nascia e honrou no percurso da sua vida esses desígnios fundadores, mantendo e defendendo o seu traço distintivo, a sua identidade, firme no seu ideal, que não abandona os seus princípios, que assenta a sua intervenção e acção na sua ideologia – o marxismo-leninismo – sempre enriquecido pela experiência e pela vida, que não abdica da perspectiva e do objectivo da construção dessa sociedade nova.
Nove décadas e meia que nos separam e olhando para o percurso percorrido vemos um Partido com uma história notável, uma trajectória sem paralelo em defesa da liberdade, da democracia, por um projecto de futuro, ligando gerações de intrépidos combatentes, travando pequenas e grandes lutas e sempre presente nos momentos decisivos da vida do nosso País.
Partido da resistência anti-fascista. Partido da Revolução de Abril e das suas conquistas. Partido da resistência contra a política de direita e de recuperação capitalista. O Partido das grandes causas e de todos os combates contra a exploração, a opressão e as desigualdades, sempre presente nos momentos de resistência, transformação e avanço.
Partido que desde a sua criação foi sempre capaz, com os trabalhadores, com o povo e a sua luta, de ultrapassar os mais sérios obstáculos, as mais perigosas conjunturas, os mais sérios desafios e de colocar todas as suas forças, o saber e a dedicação dos seus militantes na concretização dos objectivos que melhor serviam o nosso povo e o nosso país.
Um Partido que é o resultado do sacrifício e abnegação dos seus heróis caídos na luta, dos camaradas que ao longo de décadas enfrentaram a repressão e dos muitos milhares que, com uma intensa e dedicada militância, foram suporte de uma excepcional intervenção e que se projecta hoje na vitalidade e força do PCP.
A todos eles a nossa homenagem e a determinação deste grande colectivo que é o PCP de assumir com honra o seu passado e a herança revolucionária!
É este Partido que contou em todos os tempos e foi determinante para fazer andar a roda da história no sentido do progresso, que hoje continua a contar na defesa dos interesses do nosso povo e do País.
Foi com a iniciativa deste Partido que conta na solução dos problemas nacionais, e em resultado da nova situação resultante das eleições de 4 de Outubro e da derrota imposta pelo nosso povo ao governo do PSD/CDS, que foi possível encontrar a solução política para impedir o prosseguimento de um governo e de uma política brutal contra os interesses populares.
Foi com o contributo decisivo deste Partido e com a importante vitória alcançada com a luta e voto dos portugueses e que permitiu uma significativa alteração da composição da Assembleia da República, que podemos dizer que estamos hoje, e no momento em que celebramos este aniversário do nosso Partido, em melhores condições para continuar a luta que temos vindo a desenvolver de exigência de ruptura com a política de direita e pela inversão do rumo de exploração e empobrecimento que tem sido seguido por sucessivos governos e, particularmente nestes últimos quatro anos.
Foi com o empenhamento deste Partido indispensável e imprescindível à vida do País e à defesa dos trabalhadores e do povo que foi possível tomar já medidas positivas de reposição de direitos e rendimentos extorquidos nestes anos de PEC e de troika, nomeadamente nos domínios dos salários, dos impostos, das prestações sociais, da educação e da saúde, entre outras.
Nestes escassos meses desde a derrota do governo PSD/CDS, foi possível, ainda que forma limitada, dar resposta a aspirações mais imediatas dos trabalhadores e do povo que não podem ser desvalorizadas.
Medidas como aquelas que permitiram travar a concessão e privatização das empresas de transportes terrestres de passageiros; alterar o regime de protecção de invalidez; revogar medidas lesivas da dignidade dos professores e adoptar formas de avaliação para a melhoria do sucesso e aprendizagem escolar; repor os complementos de reforma aos trabalhadores das empresas do Sector Empresarial do Estado e eliminar o corte dos feriados retirados, entre outras.
Medidas como aquelas que se avançaram, ainda que aquém do que seria justo e nós defendemos, nomeadamente a eliminação dos cortes salariais aos trabalhadores da Administração Pública; a redução da sobretaxa do IRS, na base da progressividade, e a sua eliminação em 2017; e abrir caminho à fixação do horário de trabalho das 35 horas, para todos os trabalhadores na Função Pública; o aumento do Salário Mínimo Nacional.
A solução política que resultou da posição conjunta do PS e do PCP e as medidas a ela associadas, concretizadas e em concretização, tem conhecido uma concertada oposição e resistência do grande capital nacional e transnacional e dos poderes que o servem que não admitem a mais pequena medida ou mais pequeno sinal de mudança em relação ao rumo de desastre e ruína nacional que tem vindo a impor ao País.
Todos sabemos que se trata de uma solução que está limitada no seu alcance por constrangimentos e opções do próprio PS, mas nem por isso tais interesses, deixam de mobilizar todo o arsenal de recursos que têm ao seu dispor não só para fazer implodir, como seria seu desejo, a solução política encontrada, mas para inviabilizar a concretização de toda e qualquer medida positiva e progressista, por mais pequena que seja, que ponha em causa o seu projecto de regressão social e civilizacional.
O seu objectivo é muito claro: fazer ajoelhar quem ouse questionar o seu domínio, que só admite ser absoluto, e eternizar as suas políticas de exploração, empobrecimento e de submissão nacional e para isso contam, nomeadamente com PSD e CDS.
Por isso os vemos, neste particular momento em que está em discussão o Orçamento de Estado para 2016, a manobrar e a convocar toda a rede tentacular de influências, nomeadamente institucionais, para desacreditar toda e qualquer solução que saia dos cânones que servem os seus interesses – os interesses do grande capital económico e financeiro e do directório das grandes potências - e a recorrer às mais inqualificáveis formas de pressão e chantagem.
Todo este alarido, todo o empolamento à volta do Orçamento a que temos assistido, promovido pelos guardiões da ditadura do défice, resulta deste ser um Orçamento que incomoda os saudosistas da política de concentração e centralização da riqueza, da exploração e do empobrecimento a todo o custo e a todo a vapor.
O que não toleram é saber que este é um Orçamento diferente daquele que PSD e CDS apresentariam se fossem governo.
Sim, camaradas, se PSD e CDS ainda hoje fossem governo o que se estaria a debater na Assembleia da República era mais um Orçamento de forte agravamento de injustiças e das desigualdades sociais.
Um Orçamento de acentuado sofrimento para a maioria dos portugueses, como o foram todos os Orçamentos do governo PSD/CDS.
Seria um Orçamento de mais do mesmo, de mais cortes de rendimentos do trabalho e direitos laborais e sociais.
Um Orçamento penalizador das camadas de rendimentos baixos e médios como sempre foram os Orçamentos do governo do PSD/CDS.
Seria mais um Orçamento de prolongamento do ruinoso percurso que conduziu ao acelerado retrocesso económico do País e ao seu empobrecimento.
Se hoje estivesse o governo PSD e CDS, o que os portugueses veriam no Orçamento não era o aumento das prestações sociais, como agora acontece – o aumento ou a majoração do abono de família, do Rendimento Social de Inserção, do Complemento Solidário para Idosos ou o descongelamento das pensões de reforma, mas sim, com preocupação acrescida, novos cortes nas prestações sociais e a imposição de mais 600 milhões de euros de cortes nas reformas e nas pensões.
Em vez da restituição dos salários roubados já neste ano de 2016, teriam a proposta do PSD da manutenção dos cortes até 2019!
Em vez de medidas de desagravamento fiscal sobre o trabalho que o Orçamento para 2016 acolhe, como a introdução de deduções fiscais por filhos ou ascendentes em sede de IRS, a actualização da tabela de escalões, o alargamento de despesas por deficiência, veriam a continuação do favorecimento fiscal dos grupos económicos como era intenção do Governo do PSD/CDS continuar a promover, nomeadamente por via de novas reduções no IRC, tornando ainda mais desequilibrada e injusta a política fiscal.
Em vez da perspectiva da melhoria das condições de trabalho, da procura de soluções para combater a precariedade, nomeadamente na Administração Pública, como se pretende com este Orçamento para 2016, os portugueses continuariam a ouvir o repisado discurso da rigidez do mercado de trabalho e a conhecer novas propostas de ataque à legislação laboral e aos despedimentos, e a ouvir os seus estafados argumentos a favor do congelamento do Salário Mínimo Nacional, da manutenção da retirada dos feriados e do aumento dos horários de trabalho.
Em vez de medidas de apoio às famílias em dificuldade, com medidas como as que estão sendo consagradas de protecção à morada de família face às penhoras ou a introdução da cláusula de salvaguarda do IMI, continuaríamos confrontados com a insensibilidade social reinante destes últimos anos e que levou milhares de famílias ao desespero, ao sufoco financeiro e à completa ruína, com milhares despojados da sua casa para viver.
Se a iniciativa da proposta do Orçamento continuasse a ser de um Governo do PSD/CDS, os portugueses estariam a lamentar novos e mais drásticos cortes nas funções sociais do Estado e nos serviços públicos essenciais às populações e não a tomar medidas já para conter a sua degradação, nomeadamente na educação e na saúde, com novas medidas de protecção do direito à saúde com a contratação de mais médicos e redução das taxas moderadoras.
É por tudo isto que é justo olhar para este Orçamento, que ainda não está fechado, não só pelo que vale, incluindo o que transporta de medidas positivas, mas também pelo que impede. E o que impede é o aprofundamento do desastre a que conduziram o País e o contínuo prosseguimento da sua agenda de empobrecimento dos trabalhadores e do povo que estava em curso.
É sabido que este não é o nosso Orçamento mas sim um documento da responsabilidade do PS que, apesar de expressar ou poder a vir a expressar os compromissos que foram assumidos no quadro das Posições Conjuntas, está e continua marcado pela matriz essencial das opções dos seus autores.
Mas se este não é o nosso Orçamento e que contém medidas que não acompanhamos, é, contudo, um Orçamento com sinais de inversão de um rumo que não se pode subestimar. É um Orçamento que ousa, apesar do governo aceitar os critérios e orientações determinadas por Bruxelas, questionar o rumo das reformas ditas “estruturais”, atreve-se a devolver salários e direitos.
Um conjunto de razões para que o PCP tivesse votado favoravelmente na generalidade a proposta de Orçamento.
Um voto que, naturalmente, não ilude contradições e limitações.
As opções do aumento do imposto sobre os combustíveis, a insuficiente tributação sobre grande património mobiliário, a inexistência de resposta estrutural ao problema da dívida, a não consideração do aumento do valor real das pensões ou a manutenção de restrições impostas aos trabalhadores e serviços da Administração Pública e do Sector Empresarial do Estado são alguns dos elementos que marcam as nossas preocupações e discordância.
Um Orçamento que poderia e deveria ir mais longe na promoção do desenvolvimento do País e na melhoria das condições de vida do nosso povo se liberto das imposições Europeias e de outros constrangimentos externos, nomeadamente dos que resultam dos encargos da dívida, da submissão ao Euro e ao capital monopolista que domina o País.
Embora com a plena consciência que a solução para os problemas do País não dispensam a ruptura com a política de direita e com tais constrangimentos, nós continuamos a estar, como sempre temos estado, empenhados na procura das soluções e tomada de medidas que correspondam a legítimas aspirações dos trabalhadores e do povo português a uma vida melhor.
Como é nosso compromisso com os trabalhadores e o povo, o PCP está a intervir no trabalho de especialidade do Orçamento do Estado para 2016 para que possa corresponder o melhor possível a aspirações, expectativas, assegurar novos direitos e rendimentos, e dar resposta a problemas mais imediatos.
Quero aqui destacar, entre as muitas propostas apresentadas pelo Grupo Parlamentar do PCP, as que visam: um aumento extraordinário de 10 euros das pensões e reformas; uma medida extraordinária de apoio a desempregados de longa duração que se encontram sem prestação de desemprego; a progressiva gratuitidade dos manuais escolares; a redução do pagamento especial por conta pago pela pequenas empresas; o apoio às artes, actividades artísticas e património cultural; a redução da taxa de imposto municipal sobre imóveis pago pelas famílias; a par da tributação sobre o grande capital, seja com o imposto extraordinário sobre o património mobiliário superior a um milhão de euros, seja com o aumento da contribuição extraordinária sobre o sector energético.
Seguiremos o caminho de honrar a palavra dada na posição convergente e acima de tudo honraremos o nosso compromisso com os trabalhadores e o povo na defesa dos seus interesses e das suas justas aspirações a uma vida melhor.
Fazemo-lo conscientes também que a vida e a solução dos problemas dos portugueses e do País, não se confinam, apesar da sua efectiva importância, a um Orçamento, nem tão pouco a nossa acção e intervenção se esgota na sua elaboração.
A gravidade dos problemas que estão colocados na vida dos portugueses não prescindem, antes exige uma permanente iniciativa e acção do nosso Partido e a luta dos trabalhadores e do nosso povo na sua superação.
Isso significa mais intervenção, acção e luta dentro e fora das instituições, nas empresas e locais de trabalho, nas mais diversas actividades e domínios, na Assembleia da República com novas iniciativas e com propostas de solução, mas também no Poder Local, nas organizações sociais e de massas, onde a vida e os problemas dos trabalhadores e do povo solicitam a intervenção esclarecida e consequente dos comunistas.
Mais iniciativa e mais intervenção do nosso Partido, mas também mais luta, dos trabalhadores e do povo, para consolidar e forçar novos progressos.
Daqui saudamos o conjunto importante de lutas dos trabalhadores e das populações em curso visando a defesa, reposição e conquista de direitos, com destaque para as acções desenvolvidas pelos trabalhadores da Petrogal, da Administração Pública, do Sector Empresarial do Estado, dos SMTUC, da Dan Cake e muitas outras, bem como as jornadas de luta em preparação, nomeadamente as comemorações do 8 de Março - Dia Internacional da Mulher; as iniciativas dos estudantes dos ensinos secundário e superior a 10 e 15 de Março; a luta dos produtores de leite do próximo dia 14 e a manifestação da juventude trabalhadora a realizar em Lisboa a 31 de Março.
Uma saudação muito especial para a CGTP-IN pelo êxito do seu XIII Congresso que constituiu uma grande afirmação da força dos trabalhadores e um importante acontecimento na vida do País, demonstrada pelas centenas de delegados e convidados, pelas decisões tomadas e votações obtidas, um êxito extraordinário, com impacto muito significativo nos planos nacional e internacional.
É com a firme convicção de que o futuro se constrói na luta de todos os dias que o PCP está já desenvolver neste momento uma campanha nacional sobre os direitos dos trabalhadores «Mais Direitos, Mais Futuro, Não à Precariedade».
Uma campanha que se integra no combate permanente que travamos de valorização do trabalho e dos trabalhadores e das suas vidas.
Esta é uma batalha que exige ser travada em todas as frentes. Lá no local de trabalho onde imperam formas de precariedade. Organizando e unindo aqueles que estão nessa situação na exigência de soluções. Denunciando os abusos e ganhando todos os trabalhadores, sem excepção, e a opinião pública para o combate a este flagelo social.
Mas uma batalha que exige também ser travada no plano institucional, com propostas e medidas para reverter uma legislação laboral permissiva e de ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores.
Propostas e medidas como aquelas que o PCP acaba de propor na Assembleia da República e que fazem parte de um pacote de iniciativas legislativas de combate à precariedade que queremos ver discutidas e aprovadas, entre as quais a proposta de criação de um Plano Nacional de Combate à Precariedade Laboral, para combater a contratação ilegal, a falsa prestação de serviços, o abuso de contratos a prazo e de trabalho temporário e a tempo parcial, mas igualmente as discriminações salariais.
É necessário e inadiável promover a estabilidade do emprego, cumprindo e fazendo cumprir o direito ao trabalho e à segurança no emprego previsto na Constituição da República Portuguesa. E nisso os trabalhadores portugueses podem contar com o PCP!
Mas se a luta é indispensável para defender, repor e conquistar direitos, ela é igualmente necessária é indispensável para afirmar e defender os interesses gerais do nosso povo e do nosso País.
Interesses esses que, como a realidade vem demonstrando, são cada vez mais atacados e postos em causa pelo conjunto de constrangimentos externos e limitações a que Portugal está sujeito - seja pela extorsão e chantagens dos chamados mercados e seus agentes internos, seja por via do conjunto de pressões, imposições e manobras da União Europeia, cujas instituições e centros dirigentes tudo fazem, com a colaboração activa dos seus acólitos nacionais, para manter os instrumentos de domínio económico do grande capital e das principais potências europeias e para perpetuar o rumo de exploração, empobrecimento e submissão de países como Portugal.
Um conjunto de imposições e chantagens que dizem bem da verdadeira natureza e objectivos do processo de integração capitalista. Que nos demonstram para que servem e a quem servem as ditas regras da União Europeia, do Euro e os tratados. Regras e tratados que nos são sempre apresentadas como sacrossantas e imutáveis mas que, como o caso britânico está a demonstrar, já não o são quando se trata de ir encontro aos interesses do grande capital e das grandes potências ou quando se opta por tornar ainda mais reaccionárias as políticas da União Europeia.
30 anos passados, a realidade mostra-nos que se queremos, de facto, desenvolver Portugal, se queremos, de facto, ter uma sociedade em que os direitos sociais e laborais sejam pilares fundamentais de uma economia desenvolvida e de uma democracia verdadeiramente digna desse nome, então isso implica a ruptura com a União Europeia do grande capital como elemento da unidade dos patriotas e democratas verdadeiramente interessados do desenvolvimento soberano do nosso País.
Nestes 95 anos orgulhamos-mos de muitos feitos, já o dissemos. E um deles é o de termos previsto e prevenido que a integração de Portugal na CEE, na União Europeia e no Euro seria contrária aos interesses nacionais; que significaria o enfraquecimento do aparelho produtivo nacional e que Portugal seria remetido para uma posição subalterna no quadro da União Europeia.
30 anos passados, aí está a realidade a dar razão ao PCP. Como estão longe os cantos de sereia de Portugal no pelotão da frente e de uma União Europeia de coesão e de solidariedade! Veja-se o que temos hoje neste continente europeu mergulhado numa crise sem fim à vista.
Coesão? Não! Temos divergência, desigualdades e preocupantes e perigosos processos reaccionários que delas se alimenta. Solidariedade? Não! Pelo contrário, imposição, domínio, arrogância neocolonial e chantagens!
Uma crise que não é exclusiva do continente europeu. Pelo contrário. É a expressão no continente europeu da crise estrutural do capitalismo que se aprofunda e arrasta consigo uma extremamente violenta ofensiva do imperialismo que se faz sentir em todos os continentes. A guerra, o terrorismo alimentado pelas mais tenebrosas estratégias imperialistas, a incitação aos mais negros ódios e divisões em várias regiões do globo, a emergência do fascismo, empurram o mundo para uma situação de barbárie que pode ter consequências inimagináveis para toda a Humanidade. Uma violenta ofensiva que está confrontada com a luta e a resistência dos povos.
Esta realidade traz para a ribalta da luta política e ideológica a questão da superação revolucionária do capitalismo, e a necessidade da correcta definição dos métodos, prioridades e etapas da luta dos comunistas na época histórica que vivemos de transição ao socialismo.
É tendo presente este quadro que, em Portugal prosseguimos a nossa luta pela afirmação de uma alternativa à política de exploração e empobrecimento, e de declínio e ruína nacional.
Luta tão mais necessária quanto fica patente em toda a evolução destes meses, apesar dos avanços positivos, o carácter limitado da actual solução política e a necessidade de dar cada vez mais força a uma verdadeira política alternativa, a política patriótica e de esquerda e que o PCP propõe ao povo português.
Uma política que o PCP reafirma como absolutamente indispensável para romper com o poder do capital monopolista e com as limitações e constrangimentos decorrentes da integração capitalista da União Europeia e dos seus instrumentos de dominação.
Uma política assente no crescimento económico, no aumento da produção nacional, na criação de emprego, na valorização dos salários e das pensões, na reposição dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores, na defesa e afirmação das funções sociais do Estado e dos serviços públicos, na recuperação pelo Estado do controlo dos sectores estratégicos, a começar pela banca, numa política fiscal justa que alivie os impostos sobre os trabalhadores e o povo e tribute fortemente os lucros, dividendos e transacções financeiras do grande capital, que inscreva a inadiável renegociação da dívida como condição de desenvolvimento, que recupere a soberania económica, orçamental e monetária.
Uma política, patriótica e de esquerda, que não só é indispensável, como é necessária e viável.
Viável dando seguimento e concretizando propostas, como, são exemplo, aquelas que acabámos de anunciar ao País.
Propostas para resolver o problema da dívida que temos vindo a discutir e aprofundar, e que em breve apresentaremos na Assembleia da República, mas também para atacar a gangrena que se alarga no sistema financeiro que tem arruinado as finanças públicas e sem resolver nenhum dos seus problemas, nem do desenvolvimento do País.
Por isso, a par da renegociação da dívida também a proposta do PCP para o controlo público da banca ganha redobrada actualidade, mas também a proposta que recentemente apresentámos com vista à nacionalização do Novo Banco.
Sim, camaradas, é possível e é viável encetar outro caminho mobilizando recursos que a renegociação da dívida permite libertar, com uma política fiscal que propomos, por via da devida tributação sobre os dividendos, a especulação financeira, o património mobiliário, com a recuperação, pelo controlo público de sectores essenciais ao desenvolvimento do País, como é caso da banca.
A política patriótica e de esquerda que o PCP defende constitui, uma condição para assegurar um Portugal com futuro, de justiça social e progresso, um país soberano e independente.
Uma política que assume, uma cada vez maior actualidade e que é parte integrante da luta pela concretização do programa do Partido «Uma Democracia Avançada — Os Valores de Abril no Futuro de Portugal».
Um programa que aponta os caminhos para um Portugal com futuro e que projecta esse património de Abril como realidades e necessidades objectivas no futuro do nosso país.
O Programa de uma Democracia Avançada é uma proposta que responde às necessidades concretas da sociedade portuguesa para a actual etapa histórica.
Uma Democracia Avançada que nas suas quatro vertentes – política, económica, social e cultural – e nas suas cinco componentes desenvolve, afirma e incorpora uma concepção de regime e a definição de política democrática que se caracteriza por constituir um projecto de sociedade cuja construção corresponde inteiramente aos interesses dos trabalhadores e do nosso povo.
Democracia política que significa liberdades individuais e colectivas, pluralismo, eleições e participação directa do povo.
Democracia económica que implica subordinação do poder económico ao poder político democrático, propriedade social de sectores básicos e estratégicos da economia, coexistência de formações económicas diversas, intervenção dos trabalhadores na gestão das empresas.
Democracia social que inclui direitos dos trabalhadores, condições de vida dignas, acesso generalizado aos serviços e benefícios sociais.
Democracia cultural que se traduz no acesso das massas populares à fruição cultural e liberdade e apoio à criação cultural.
A Democracia Avançada que o PCP apresenta ao povo português — com a sua natureza antimonopolista e anti-imperialista — tem na sua concretização e no aprofundamento da democracia que ela incorpora o caminho do socialismo pelo qual gerações de comunistas lutaram e lutam.
Uma luta que exige um Partido Comunista que não abdica de o ser, determinado, combativo, consciente do seu papel, firme no seu ideal e na afirmação do seu projecto transformador e revolucionário.
Um Partido que quanto mais forte for, mais largos e firmes passos dará na direcção da concretização desse objectivo, vencendo e superando cada uma das etapas que as condições objectivas e da luta impõem.
Este ano, nos dias nos dias 2, 3 e 4 de Dezembro, vai realizar-se o XX Congresso do Partido, no Complexo Municipal dos Desportos – Cidade de Almada, sob o lema «PCP. Com os trabalhadores e o Povo. Democracia e Socialismo».
O Comité Central acaba de lançar a preparação do Congresso com a aprovação de uma Resolução, onde se definem, designadamente a metodologia, faseamento e objectivos.
Nela se apontam um conjunto de matérias centrais para o debate inicial relativo ao conteúdo das Teses – Projecto de Resolução Política - e se definem linhas de orientação que constituem a base para a reflexão e discussão das organizações e militantes e definem-se três fases, abrindo o debate a todo o Partido, convocando o conjunto de militantes e das organizações à participação neste ímpar, amplo e profundo processo democrático.
Inicia-se, assim, um processo que nos levará no final do ano ao apuramento das propostas a serem submetidas à apreciação e aprovação dos delegados ao XX Congresso e desde já se apela às organizações e aos militantes do Partido, a todo o colectivo partidário para, com a sua experiência, reflexão e opinião, contribuírem para o êxito do XX Congresso.
O processo da sua preparação e realização terá que inevitavelmente inserir-se no trabalho geral do Partido, integrando as suas exigências específicas com o desenvolvimento da luta de massas, o fortalecimento das suas organizações e movimentos unitários, a intervenção política, o trabalho político unitário, as tarefas internacionalistas e o reforço do Partido.
O reforço do PCP, partido necessário, indispensável e insubstituível, é da maior importância.
Reforço com a concretização até final de 2016, da Resolução “Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte”, avançando decididamente na responsabilização e assunção de responsabilidades por mais quadros; com o fortalecimento da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho; com maior atenção ao trabalho junto das classes e camadas sociais anti-monopolistas; com a dinamização das organizações de base, a ligação aos trabalhadores e às massas populares; com uma intervenção intensa na batalha ideológica; com a intensificação da propaganda e da divulgação da imprensa do Partido, nomeadamente o nosso Avante!.
Reforço com alargamento de uma base financeira própria, nomeadamente prosseguindo com a campanha nacional de fundos “Mais espaço. Mais Festa. Futuro com Abril”, e assegurar o seu êxito, agora que se inicia também a preparação da 40ª edição da Festa do «Avante!», a realizar nos dias 2, 3 e 4 de Setembro de 2016, que integrará no seu projecto a utilização da Quinta do Cabo.
Reforço também da nossa intervenção e da nossa acção, concretizando o vasto conjunto de iniciativas em curso e programadas, nomeadamente a acção junto dos reformados e pensionistas sobre os seus direitos e condições de vida que terá início já a 17 de Março. Mas igualmente dinamizando as iniciativas de comemoração do 85.º aniversário do «Avante!», do 95º aniversário do PCP, do 40º aniversário da Constituição da República Portuguesa, do 25 de Abril e do 1º de Maio.
Nestes 95 anos o nosso Partido lutou, resistiu, avançou e mantém-se firme na sua intervenção e objectivos.
Tudo isto foi e é possível porque assume com convicção e honra a sua identidade comunista. Assume a sua natureza de Partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Assume os seus princípios de funcionamento decorrentes do desenvolvimento criativo do centralismo democrático, assentes numa profunda democracia interna, numa única orientação geral e numa única direcção central. Assume a sua base teórica o marxismo-leninismo, o seu carácter de partido patriótico e internacionalista e o seu objectivo de construção de uma sociedade nova – o socialismo e o comunismo
Num momento em que se aproxima a comemoração do Dia Internacional da Mulher é justo destacar o património de reflexão, luta e projecto do PCP em defesa dos direitos das mulheres e pela sua luta emancipadora.
Ao longo dos seus 95 anos, o PCP analisou a situação das mulheres em Portugal, denunciou as desigualdades e discriminações específicas que as atingem, apontando os caminhos a percorrer para as liquidar.
No plano da Assembleia da República o património de intervenção do PCP é único como o confirmam a sua constante intervenção sobre múltiplas dimensões das discriminações e pela construção de um sólido edifício legislativo em defesa dos direitos das mulheres em diversos domínios. Uma intervenção consistente, coerente e continuada no quadro da sua intervenção na Assembleia da República.
Queremos, daqui saudar as sucessivas gerações de mulheres comunistas que ao longo dos 95 anos do PCP deram o melhor das suas vidas, da sua militância à intervenção do colectivo partidário e à luta das mulheres em defesa dos seus direitos e pela sua emancipação social.
Temos a certeza que os militantes do Partido – mulheres e homens – vão contribuir para que a comemoração do 8 de Março represente uma grande jornada e luta das mulheres portuguesas, designadamente através da concretização da intervenção do Partido nesta data, mas também para o êxito das acções que vão ter lugar por diversas organizações em que destacamos pelo movimento sindical unitário e pelo Movimento Democrático das Mulheres.
Neste dia que celebramos 95 anos do nosso Partido, permitam-me também que daqui façamos uma saudação muito especial à juventude que tem na JCP, a organização da juventude comunista portuguesa, o instrumento de combate necessário e imprescindível na defesa das suas mais genuínas aspirações. Dessa JCP de que nos orgulhamos!
É olhando em frente e com confiança neste grande e coerente Partido que continuamos hoje o nosso combate.
Deste Partido portador de esperança que não desiste nem descansa de alcançar um Portugal com futuro!
Deste Partido Comunista Português que intervém com uma confiança inabalável assente na sua história, no seu projecto e na sua força.
O Partido a que todos nós, militantes comunistas, temos o orgulho imenso de pertencer, assumindo o legado que nos foi deixado por sucessivas gerações de comunistas e inspirados no exemplo de Álvaro Cunhal.
Deste Partido que aqui está ancorado na convicção da valia e actualidade de um Projecto que persegue o nobre ideal da emancipação e libertação da exploração dos trabalhadores e dos povos, porque queremos uma vida melhor para quem trabalha, porque queremos um Portugal desenvolvido, de progresso, independente, mais justo e mais solidário.
Deste Partido sempre determinado e combativo no cumprimento do seu papel na defesa dos interesses populares, por uma política patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada, pelo socialismo e o comunismo.

Sempre com os trabalhadores e o povo, pela Democracia e o Socialismo

Sempre com os trabalhadores e o povo, pela Democracia e o Socialismo

Comunicado à população

                                                                    Aos Baionenses
                                                                     
Já lá vai e não deixa saudades o governo PSD/CDS que, em obediência cega às orientações da troika internacional e querendo até ir mais longe nas medidas impostas, demonstrando falta de sensibilidade social e moral, deixou muitos portugueses na miséria e o País na estagnação económica.

Havia imperiosa necessidade de romper com esta situação causadora de fortes injustiças e desigualdades sociais, que o anterior governo procurou escamotear com doses maciças de caridadezinha e mentindo sempre sobre a situação do País.

Coube ao PCP iniciar o processo de ruptura com estas desastrosas políticas, quando o Secretário-Geral Jerónimo de Sousa proferiu a frase chave ao afirmar que «o PS só não forma governo se não quiser», pois foi a partir daqui que surgiu a possibilidade de formar outro governo com apoio maioritário parlamentar, capaz de romper com o período mais negro da nossa história, após o 25 de Abril.

Sempre na linha da frente para defender os legítimos direitos e aspirações da população portuguesa, o PCP não regateou esforços para esclarecer e incentivar a luta dos trabalhadores e do povo, no sentido de propiciar o derrube do governo de direita e encetar um novo caminho para melhorar as condições de vida dos portugueses e promover o desenvolvimento económico do País.

Os efeitos corrosivos da governação de direita, estão já a ser corrigidos, mas nem tudo pode ser atingido com a intensidade e o tempo que todos queremos e merecemos, pois o actual governo, não é um governo patriótico e de esquerda como o PCP desejaria que fosse, mas o certo é que estão lançadas as possibilidades de continuar a luta para atingir esse objectivo, assim a população o queira. 

A eleição para a nova Presidência da República não vai nesse sentido, pois o candidato vencedor, cujo currículo e pensamento político o ligam a figuras do passado repressivo e obscurantista, conseguiu a vitória jogando nas suas frequentes passagens televisivas durante anos a fio e na divisão e dispersão de votos à esquerda, nomeadamente na área do PS, o que lhe permitiu ser eleito à primeira volta. No entanto, espera-se do novo presidente que defenda, cumpra e faça cumprir a nossa Constituição, conforme consta das suas obrigações.  

Apesar deste contratempo, os alicerces para a continuação da mudança estão construídos e os portugueses podem sempre contar com o PCP na luta pela transformação da nossa sociedade numa sociedade mais justa, fraterna e solidária. 

Março 2016
Comissão Concelhia de Baião do PCP

 PCP - UMA FORÇA POLITICA DE PRINCÍPIOS E CONVICÇÕES AO SERVIÇO DOS BAIONENSES

terça-feira, 1 de março de 2016

Dia da Andaluzia

INTERNACIONAL|INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL, CORDOVA

Jerónimo de Sousa em Espanha

Jerónimo de Sousa em Espanha
A convite do PCE e da Esquerda Unida, Jerónimo de Sousa participou na manifestação e comício do Dia da Andaluzia realizados em Córdova. Tendo oportunidade de expor o posicionamento do PCP no quadro da recente evolução da situação nacional perante milhares de manifestantes, a presença do Secretário-Geral do PCP foi expressão da solidariedade para com os comunistas, os trabalhadores e os povos de Espanha e a sua luta em defesa dos seus direitos, interesses e aspirações, do seu direito a tomar nas suas mãos um projecto de desenvolvimento, de emancipação e progresso social.
Camaradas e amigos,
É com grande satisfação que em nome do Partido Comunista Português saúdo os participantes nesta manifestação e comício de encerramento das comemorações do Dia da Andaluzia, que o Partido Comunista de Espanha e a Esquerda Unida realizam este ano nesta bela, histórica e rica de tradições de luta cidade de Córdova.
A nossa participação nesta importante iniciativa é expressão da amizade e da solidariedade entre os comunistas portugueses e os comunistas espanhóis e da nossa determinação comum de continuar a aprofundar a solidariedade internacionalista entre os trabalhadores e os povos dos nossos dois países.
Participação a que damos tanto mais significado quando se assinalam este ano os 80 anos do início da Guerra Civil de Espanha, que tão profundas e dramáticas consequências teve para os povos de Espanha, prenunciando a barbárie nazi-fascista que se abateu sobre os povos do mundo na Segunda Guerra Mundial.
Desses tempos, temos presente que o PCP – desde o primeiro momento e nas difíceis condições impostas pelo fascismo em Portugal – assumiu como sua a causa dos povos de Espanha, desenvolvendo múltiplas acções de solidariedade com a Espanha Popular e a sua República face à brutal agressão fascista.
Não esquecemos que, sob condições muito duras, os comunistas em Portugal e em Espanha ergueram as suas organizações clandestinas, liderando a luta de resistência contra as ditaduras fascistas de Salazar e Franco e pela conquista da liberdade.
Hoje, 80 anos depois, os comunistas continuam na sua luta a erguer a bandeira da liberdade, da democracia, da justiça e progresso social.
Camaradas e amigos,
Em Portugal, durante os últimos quatro anos – e no seguimento de décadas de política de direita e de integração capitalista europeia, da responsabilidade de PS, PSD e CDS-PP –, o Governo PSD/CDS-PP levou onde ainda nenhum outro governo tinha levado desde os tempos do fascismo, a política de exploração, de retrocesso social, de declínio económico e de dependência externa, subordinada aos interesses dos monopólios, conduzindo Portugal a uma dramática situação.
Em resultado da persistente e intensa resistência e luta dos trabalhadores e do povo português em defesa dos seus direitos e condições de vida e por uma política alternativa – em que assumiu um papel determinante o movimento sindical unitário, a CGTP-IN, grande central sindical dos trabalhadores portugueses –, PSD e CDS-PP foram derrotados nas eleições legislativas realizadas no passado dia 4 de Outubro.
Com a derrota do PSD e CDS-PP foram travados os projectos de prosseguir o rumo de intensificação da exploração, de roubo nos salários e noutros rendimentos dos trabalhadores e do povo, de destruição de postos de trabalho, de desemprego, de pobreza, de emigração, de cerrado ataque a direitos e conquistas democráticas, de degradação de serviços públicos, das privatizações, da destruição de capacidade produtiva – um rumo de inteira submissão às imposições da União Europeia, do BCE e do FMI e aos interesses do grande capital nacional e transnacional.
Com o novo quadro político resultante das eleições de 4 de Outubro, abriu-se uma nova fase na vida política em Portugal que, com a iniciativa e a intervenção do PCP, permitiu não só interromper o rumo de destruição do Governo PSD/CDS-PP, mas igualmente o encontrar de soluções que pudessem responder a problemas e necessidades prementes, a interesses e a aspirações dos trabalhadores e do povo português.
Não comprometendo a sua iniciativa e independência política, não iludindo dificuldades, nem escondendo as suas profundas divergências com o PS, o PCP colocou em primeiro plano a valorização de pontos de convergência que pudessem dar resposta a importantes objectivos de luta dos trabalhadores e do povo português.
À convergência que foi possível verificar correspondeu uma solução política que nada tem a ver com uma «coligação das esquerdas», um «governo das esquerdas» ou, sequer e na avaliação do PCP, um «governo de esquerda» em Portugal – mas sim um Governo do PS, com as suas opções, contradições e limitações.
Do mesmo modo, a natureza e objectivos distintos dos programas dos dois partidos, o diálogo realizado e as diferenças que subsistiram confirmaram não serem possíveis um «acordo programático» ou um «acordo de âmbito parlamentar» entre o PCP e o PS.
O que existe é uma nova correlação de forças na Assembleia da República que pensamos dever ser plenamente aproveitada para dar respostas positivas aos trabalhadores, ao povo e ao futuro de Portugal. Uma nova correlação de forças em que o PCP age com inteira independência política e ideológica, apreciando e decidindo em cada situação a posição a tomar sobre cada matéria, desde questões legislativas correntes, mais ou menos relevantes, ao Orçamento de Estado. Uma situação em que o PCP age articulando a sua intervenção institucional, com o desenvolvimento da luta de massas.
Com consciência dos desafios e das exigências que se colocam no actual quadro político em Portugal, o PCP continua a sua intervenção e luta, tomando a iniciativa e contribuindo sempre para a concretização de todas as medidas que forem úteis para os trabalhadores e o povo português e opondo-se firmemente a tudo o que signifique mais exploração, empobrecimento, injustiças sociais e declínio nacional.
Assim, nos últimos meses e em resultado da «Posição conjunta do PS e do PCP sobre solução política», que foi acompanhada de posições conjuntas do PS com dois outros partidos, foram alcançados avanços, ainda que por vezes aquém das propostas defendidas pelo PCP. Foi possível, entre muitas outras importantes medidas tomadas, que deixem de ser aplicados cortes salariais aos trabalhadores da Administração Pública; aumentar o Salário Mínimo Nacional; assegurar a redução progressiva da sobretaxa do Imposto sobre o Rendimento; reverter a concessão e privatização das empresas de transportes terrestres de passageiros; proteger a morada de família face a penhoras decorrentes de execuções fiscais; recuperar quatro feriados que tinham sido cortados, incluindo aquele que simboliza a implantação da República; abrir caminho para reposição e a fixação do horário de trabalho das 35 horas para os trabalhadores na Função Pública; dignificar os professores e promover a Escola Pública; reforçar o Serviço Nacional de Saúde; reforçar a protecção às crianças, aos desempregados, à velhice e às pessoas com deficiência. São medidas adoptadas com o papel determinante do PCP e da luta dos trabalhadores e do povo português que é necessário prosseguir para que se vá mais longe na defesa, reposição e conquista de direitos.
Avanços e progressos que, apesar de limitados, constituem sinais de inversão face ao caminho de exploração e empobrecimento imposto a Portugal nos últimos anos. É isso que explica as enormes pressões da União Europeia, dos centros do grande capital, que contam com a cumplicidade do PSD e do CDS-PP. No fundo, o que os preocupa é o que estes avanços representam para a luta dos trabalhadores e do povo português. Não é só a recuperação de salários e direitos. É devolver a esperança de que é possível uma vida melhor!
No entanto é necessário ter presente que as medidas e decisões entretanto tomadas, verificam-se num quadro em que a opção do PS, de dar cumprimento às imposições e condicionamentos externos – sejam eles o da submissão ao Euro, ao Pacto de Estabilidade, ao Tratado Orçamental ou a uma dívida insustentável –, não querendo romper com os interesses do capital monopolista, leva a que esteja a dar continuidade a processos que colidem com os interesses de Portugal.
Na avaliação PCP, se há aspecto que resulta da apreciação destes últimos meses, e sem prejuízo dos importantes desenvolvimentos positivos já alcançados, é o carácter limitado da actual solução política e a necessidade de continuar a intervir e a lutar para dar cada vez mais força a uma verdadeira política alternativa – a política patriótica e de esquerda que o PCP propõe ao povo português.
Uma política que, confrontando os interesses e o poder dos monopólios e do imperialismo: assuma a necessária renegociação da dívida pública, nos seus prazos, juros e montantes; assegure o controlo público da banca; prepare Portugal para a libertação da submissão ao Euro; responda à necessidade de aumentar salários, reformas, pensões e outros rendimentos dos trabalhadores e das camadas populares; valorize o trabalho e os direitos dos trabalhadores; tribute de forma firme e adequada o grande capital; relance o investimento público, centrado na promoção da produção nacional; promova os serviços públicos; defenda e garanta a soberania nacional face a imposições e constrangimentos externos, e liberte Portugal do rumo de integração capitalista da União Europeia.
A defesa de todas as medidas positivas entretanto alcançadas e o combate a todas as medidas negativas e aspectos e orientações da política de direita que entretanto prevalecem, inserem-se na luta pela ruptura com a política de direita e pela política alternativa, cuja concretização tem como elementos determinantes o alargamento e a intensificação da luta de massas – da classe operária, dos trabalhadores, de todas as camadas anti-monopolista. A nossa situação política não dispensa a luta, antes exige o seu desenvolvimento.
Camaradas e amigos,
Consciente da complexidade da situação e das exigências que esta comporta para os comunistas portugueses, o PCP coloca como objectivo essencial o seu reforço orgânico, aprofundando o seu enraizamento nos trabalhadores e no povo, a sua ligação à realidade portuguesa, articulando a luta por objectivos imediatos com a luta por objectivos mais gerais, reafirmando a sua identidade comunista e o seu projecto revolucionário – partido da classe operária e de todos os trabalhadores, que defende os interesses das classes e camadas anti-monopolistas, independente da influência, dos interesses, da ideologia e da política das forças do capital; partido que tem como objectivos supremos a construção do socialismo e do comunismo, de uma sociedade liberta da exploração e da opressão capitalistas; partido que tem como base teórica o marxismo-leninismo; partido que tem princípios de funcionamento decorrentes do desenvolvimento criativo do centralismo democrático, assentes numa profunda democracia interna, numa única orientação geral e numa única direcção central; um partido patriótico e internacionalista.
Reafirmando o seu compromisso com os trabalhadores e o povo português, no momento em que comemora os seus 95 anos de existência – que assinalará no próximo dia 6 de Março –, o PCP continua firmemente empenhado na luta pela concretização de uma política patriótica e de esquerda, em ruptura com a política de direita, por uma democracia avançada, que projecte os Valores da Revolução de Abril no futuro de Portugal e que é parte inseparável da construção de uma sociedade nova – o socialismo e o comunismo.
Camaradas e amigos,
Queremos reafirmamos-vos a nossa profunda solidariedade para com os comunistas, os trabalhadores e os povos de Espanha e a sua luta em defesa dos seus direitos, interesses e aspirações, do seu direito a tomar nas suas mãos um projecto de desenvolvimento, de emancipação e progresso social.
Podem contar com o PCP, que se entrega com todas as suas forças na luta pela erradicação da exploração e da opressão.
Viva a amizade entre o povo português e os povos de Espanha!
Viva a luta dos trabalhadores e dos povos!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

XIII Congresso da CGTP





Intervenção de abertura - Secretário-Geral da CGTP-IN

armenio carlos MG 1731Intervenção de abertura
Arménio Carlos, Secretário-Geral da CGTP-IN
Apresentação do Relatório de Actividades e das orientações para a actividade sindical
"ORGANIZAÇÃO, UNIDADE E LUTA – A FORÇA DOS TRABALHADORES!
EMPREGO COM DIREITOS, SOBERANIA, PROGRESSO SOCIAL"
Caros convidados, camaradas e amigos,
Saudamos neste Congresso, os delegados e os convidados, bem como os dirigentes das organizações sindicais estrangeiras, com quem ontem aprofundámos a discussão em torno dos problemas que afectam os trabalhadores um pouco por todo o mundo, numa Conferência Internacional das mais participadas de sempre, prova do reconhecimento da CGTP-IN na defesa dos interesses dos trabalhadores e dos laços de solidariedade que marcam a nossa acção.
O contexto que marcou o espaço entre Congressos foi de grande exigência, com o agudizar da crise estrutural do capitalismo e uma ofensiva sem precedentes contra o trabalho.
O desemprego e a precariedade, a pobreza e a desigualdade andam de mãos dadas com a ingerência e a desestabilização, a guerra e a destruição, num mundo em que se estima que 1% da população é detentora de 99% riqueza, ao mesmo tempo que 327 milhões de trabalhadores ganham menos de 2 dólares por dia de trabalho, perpetuando em pleno século XXI situações de brutal exploração da força de trabalho.
A ofensiva neoliberal tenta impor tratados ditos de "livre comércio", com a criação de laços de subordinação e dependência que subvertem e atacam a soberania nacional e os direitos dos trabalhadores, como são exemplo o Tratado Transatlântico entre a União Europeia (U.E.) e os EUA, o Transpacífico, ou o tratado sobre o comércio de serviços.
Estes são acordos que têm impacto directo nos direitos dos trabalhadores e estão inseridos numa dinâmica, mais ampla, que visa consolidar à escala mundial a supremacia dos interesses financeiros sobre direitos políticos, económicos, sociais e culturais. Numa altura em que a OIT vai promover um debate sobre o futuro do trabalho, reiteramos que o futuro não passa por uma maior desregulação, mas por mais justiça social, por mais e melhor emprego e mais direitos laborais e sociais.
Foi neste quadro, de contradições intrínsecas do sistema capitalista, que se revelou ainda com maior brutalidade a ingerência da NATO, dos EUA e da U.E., em busca de maior influência económica e financeira, como atestam os conflitos na Síria, no Líbano, no Egipto ou na Palestina. Uma acção destruidora de vidas, que desestrutura a organização social e obriga milhões de seres humanos a arriscar as suas vidas na fuga para outros países, numa dimensão sem paralelo desde a segunda grande guerra.
Por seu lado, a Europa, fortemente influenciada pelo peso da U.E., está mergulhada numa crise sistémica, longa e generalizada, ainda que com manifestações diversificadas em cada país.
Como o tempo se encarregou de demonstrar, os problemas da UE não se devem apenas à sua "arquitectura" mas, acima de tudo, a uma política que ao assumir o neoliberalismo, o federalismo e o militarismo, que não só não promoveu a convergência, como acentuou a divergência entre os países membros e pôs em causa a soberania da esmagadora maioria dos mesmos.
O manancial de diplomas, directrizes, orientações e recomendações efectuados por Bruxelas, entra em rota de colisão com os mais elementares direitos laborais, sociais e económicos.
A actual Comissão Europeia, procura criar a ilusão de um novo rumo para a Europa, ao mesmo tempo que intensifica uma política que tem nos conteúdos do Tratado Orçamental e do Programa de Estabilidade e Crescimento, as linhas promotoras da acentuação das desigualdades e da continuidade por outras vias do "memorando da troika" e da famigerada política de consolidação orçamental e reformas estruturais.
Esta é a U.E., que tão depressa se mostra feroz e implacável quando se trata de martirizar os povos dos países mais pequenos, como adopta uma atitude submissa quando está em causa o acordo com o Reino Unido, mesmo que tal implique a violação dos direitos fundamentais dos emigrantes. Esta é a U.E. que fecha fronteiras e constrói barreiras, que levanta muros de arame farpado, que fala de solidariedade e vira as costas aos refugiados e que fomenta a xenofobia.
Neste quadro, de ataque generalizado, nomeadamente a direitos e conquistas civilizacionais nas áreas laboral e social, a luta dos trabalhadores reveste-se de importância acrescida para a afirmação e defesa dos seus direitos e a construção de uma Europa solidária, democrática e mais justa.
A CGTP-IN reafirma o seu compromisso com vista à criação de uma Europa de coesão económica e social, no respeito pelas decisões soberanas dos povos. Uma Europa que potencie e dinamize as diferentes culturas e realidades em cada um dos países, tendo em conta as características próprias e o ponto de partida de cada um e dê combate à perpetuação das desigualdades e assimetrias existentes. Uma Europa que estimule e assegure a participação activa e directa dos cidadãos e o funcionamento democrático das instituições, rompendo com os processos em curso, que têm como desígnios o aumento da exploração e a legitimação de uma política de retrocesso social e civilizacional.
No nosso país conhecemos e sofremos os impactos da política da UE, do memorando da troika e do Governo do PSD-CDS, que desenvolveu uma política contra a CRP, de afronta ao trabalho, de destruição de serviços públicos e de degradação das funções sociais do Estado, que empurrou 2 milhões e 700 mil portugueses para a pobreza e mais de um milhão para o desemprego, e forçou a emigração de centenas de milhar de portugueses.
Apesar de uma das maiores ofensivas anti-laborais e anti-sociais, os trabalhadores resistiram, lutaram e deram um contributo fundamental para derrotar o Governo do PSD-CDS.
Os trabalhadores, os que lutam sempre, os imprescindíveis do poema de Brecht, foram os protagonistas deste processo
Foi a luta dos trabalhadores da Administração Local que assegurou as 35 horas na maioria das autarquias, e forçou a promessa da reposição deste horário à Administração Pública; foi a luta dos trabalhadores da Administração Central e Regional que forçou o compromisso de se acabar com a vergonha dos contratos emprego inserção e a humilhante situação de despedimento pomposamente apelidado de requalificação; foi a luta dos professores que derrotou a prova que o Governo lhes tentou impor para terem acesso à profissão e, entre tantas outras, foi a luta dos enfermeiros que permitiu a conquista de uma grelha salarial igualitária para quem inicia a sua carreira.
Foi a acção e a luta prolongada dos trabalhadores do sector empresarial do Estado, em especial os da área dos transportes, que asseguraram a reversão da concessão da gestão das empresas públicas a operadores privados.
Foi a luta dos trabalhadores no sector privado que garantiu o aumento dos salários, combateu a precariedade e a desregulamentação dos horários, defendeu a contratação colectiva. Foram as pequenas e as grandes acções, as greves de empresa e de sector, as três grandes greves gerais, as concentrações à porta das empresas, as manifestações que fizeram do Terreiro do Paço o Terreiro do Povo, que confirmaram que a força dos trabalhadores é o motor da conquista de direitos.
Não desistimos e não claudicámos, ao invés, resistimos e combatemos a poderosa ofensiva ideológica com que nos tentaram intoxicar.
A repetição até à exaustão das mentiras da responsabilidade colectiva pela crise, de vivermos acima das possibilidades, dos falsos "privilégios" de uns para baixar os direitos de todos, ou, entre tantas outras, da inevitabilidade da política imposta, só serviu para escamotear os objectivos do aumento da exploração, do empobrecimento e da desigualdade e intensificar a brutal transferência de rendimentos do trabalho para o capital.
E tanto falaram de sacrifícios para uns, que é caso para perguntar: que sacrifícios foram exigidos a outros? Aos accionistas das empresas que acumularam rendas fabulosas nas PPP? Aos que ficaram com os lucros e deixaram os prejuízos do BPN, do BPP, do BES e do BANIF para os trabalhadores e o povo? Aos usurários que continuam a ganhar milhares de milhões de euros com o pagamento de uma dívida que não parou de aumentar, é impagável e tem de ser renegociada?
Quando afirmavam que não havia alternativa, apresentámos propostas concretas e lutámos para a efectivação de uma política de esquerda e soberana.
Valeu a pena lutar porque foi na luta que os trabalhadores ganharam e reforçaram a sua consciência social e política, condição fundamental que conduziu ao esvaziamento da base social de apoio e às sucessivas derrotas eleitorais da coligação PSD/CDS, primeiro para as autarquias, depois para o parlamento europeu e finalmente para a Assembleia da República.
O projecto do Governo PSD/CDS, foi travado; estão em minoria na Assembleia da República; estão fora do Governo; estão no lugar que lhes pertence, porque é em minoria e fora do Governo que tem de estar quem destrói o país, rouba o futuro aos jovens, despreza os mais velhos e inferniza a vida do povo.
Este é o tempo de concretizar a esperança e lutar pela mudança!
Um tempo aliciante, recheado de desafios e de potencialidades.
Por isso, valorizamos as medidas aprovadas pelo PS, PCP, BE, PEV, PAN que eliminaram os cortes nos salários, repuseram os complementos de reforma dos aposentados do Metro e da Carris; aumentaram, ainda que de forma insuficiente, o SMN; reduziram o IVA da restauração; asseguraram o direito das mulheres à IVG sem pressões nem constrangimentos; e, entre outras medidas, eliminaram o corte dos feriados retirados, dando sequência à luta desenvolvida para por fim a quatro dias de trabalho gratuito.
Apesar da enorme pressão e chantagem para que tudo fique na mesma, desenvolvida pelos derrotados das eleições, pelo patronato, os "mercados" e as instituições da U.E., o OE para 2016 inverte o rumo de cortes sucessivos nos salários e nas pensões, embora fique aquém do desejável e necessário para responder a um conjunto de problemas sociais.
É inequívoco que com o actual Governo, na presente correlação de forças na Assembleia da República, há mais espaço para a negociação. Mas o diálogo e a negociação têm de produzir resultados! Não basta constatar os problemas, há que encontrar e implementar soluções. E há questões que exigem uma resposta no curto prazo para dar expressão à esperança numa real mudança!
Neste quadro, na proposta que fazemos ao Congresso, identificamos três eixos centrais, que se interligam e são inerentes à concretização de uma efectiva mudança.
O primeiro é a valorização da contratação colectiva. A contratação colectiva é um poderoso instrumento para a promoção da melhoria dos direitos dos assalariados e da sua qualidade de vida e de trabalho. É um elemento incontornável do progresso social e um factor decisivo para uma mais justa repartição da riqueza.
Não basta reconhecer que a caducidade, conjugada com a eliminação do princípio do tratamento mais favorável – uma arma de arremesso dos patrões para destruir a contratação colectiva e substitui-la pela relação individual de trabalho. É preciso revogar a caducidade e reintroduzir o princípio do tratamento mais favorável.
É preciso que o Governo, enquanto accionista maioritário nas empresas públicas, nomeadamente nas de transportes, dê o exemplo e ponha termo de imediato à denúncia das convenções feita pelas anteriores administrações e assuma as medidas legislativas para que idêntica atitude seja aplicada no sector privado.
Esta é uma luta que tendo início em 2003, precisa de ser intensificada até que a Lei da Contratação Colectiva seja expurgada das normas que a subvertem e a enfraquecem.
Um segundo eixo prioritário, é a ruptura com o modelo de precariedade e de baixos salários. Todos já reconhecem que este é um modelo esgotado, mas os que enriquecem às suas custas, tudo fazem para o perpetuar.
Este é um modelo que faz da precariedade a antecâmara do desemprego e da redução dos salários um instrumento de empobrecimento.
Não são aceitáveis medidas como o denominado complemento salarial anual, a redução da TSU para os patrões e outros que, em vez de dar resposta aos problemas dos trabalhadores, incentivam e perpetuam os salários de miséria e aprofundam a exploração e as desigualdades.
A solução para os trabalhadores, suas famílias e o futuro do país passa necessariamente pela estabilidade e segurança no emprego.
O emprego com direitos e o aumento geral dos salários são determinantes para assegurar o crescimento económico, o aumento da produção nacional, que incorpore mais valor acrescentado e trave a emigração forçada dos trabalhadores e da geração mais qualificada que o país já dispôs.
O terceiro eixo é a revogação das normas gravosas da legislação laboral para o sector público e privado. Depois das alterações impostas nos últimos anos, é imperioso pôr termo às medidas que desequilibraram as relações laborais, fragilizaram a prestação de trabalho e contribuíram para que o nosso país esteja hoje mais dependente do exterior e menos competitivo.
O desenvolvimento do país não se concretiza com facilitações de despedimento, a redução das indemnizações e outras medidas que desregulam as relações de trabalho. O país precisa de uma legislação que dê centralidade ao trabalho, dê força aos direitos individuais e colectivos e revalorize os trabalhadores
O momento que vivemos não se compadece com atitudes expectantes, passivas ou contemplativas. A mudança não se faz com acomodação e inacção, mas com participação e acção. Este é um tempo que exige mais de cada um de nós. Um tempo que passa pela auscultação, o envolvimento, a organização e a mobilização.
Uma participação activa nos locais de trabalho, reivindicando melhores condições de trabalho e mais salários. Uma acção que será combinada, na frente institucional, com a exigência de medidas junto do Governo e dos partidos no Parlamento e do diálogo bilateral com as associações patronais, deixando para a comissão permanente de concertação social o que a lei lhe reserva, rejeitando as tentativas de sobrevalorizar ou de subavaliar o seu papel.
Sim, é possível intervir em todos os espaços para negociar e, acima de tudo, para conseguir resultados.
Esta é uma altura que exige audácia para se enfrentarem os problemas do país e dar resposta ao Programa de Estabilidade.
É altura de exigir que as regras do défice se adaptem às necessidades da população, para que haja investimento público e crescimento económico.
É altura, de uma vez por todas, de pôr travão à sangria provocada pelo sistema financeiro e do Estado assumir uma posição mais forte nesta área, com outro modelo de gestão da Caixa Geral dos Depósitos que a coloque ao serviço do povo e do país e o reforço da presença pública com o Novo Banco a integrar-se nesta nova dinâmica.
Pelo legado do anterior Governo e as consequências que a sua política teve no país, sabemos das dificuldades com que estamos confrontados. Mas essa mesma política e esse legado, tornam urgente uma ruptura real e consequente com a política de exploração, empobrecimento e desigualdades. Sabemos que "Roma e Pavia não se fizeram num dia", mas não aceitaremos que a mudança necessária se converta numa réplica das "obras de Santa Engrácia".
Pela amostra dos dias de hoje, estamos conscientes da monumental campanha ideológica a que vamos estar sujeitos pelos que nunca vão perdoar aos trabalhadores o contributo indispensável que deram para a nova realidade do país. Os que nunca viram os seus privilégios ameaçados e tinham como garantidos os lucros aumentados. Dos que dominam os mercados e dos que já faziam planos para mil anos com chorudos negócios na água, nos resíduos sólidos, na educação, na saúde, nos transportes e na segurança social. Para aqueles que, em violação clara do preceito constitucional, são o poder económico que subordina o poder político. Todos estes e aqueles que no desempenho de cargos políticos defendem os seus interesses têm um sério problema com a reversão das medidas impostas nos últimos anos.
Ganha assim maior importância a presença permanente nos locais de trabalho, o reforço da organização sindical, o aumento da sindicalização e a responsabilidade de novos quadros sindicais. Estes são os elementos geradores da participação e do movimento que tem de se ampliar para a efectivação da política de esquerda e soberana que preconizamos.
Uma política que liberte o país das amarras do Tratado Orçamental e de uma dívida pública que, em parte é ilegítima, e no seu todo impagável.
Uma política que valorize o trabalho, respeite e dinamize a contratação colectiva e seja promotora do trabalho com direitos, com a revogação das normas gravosas da Legislação Laboral e a redução progressiva da jornada de trabalho de 35 horas para todos os trabalhadores.
Uma política que promova o aumento geral dos salários e do SMN, como factor de justiça social e de combate às desigualdades e à pobreza, para dinamizar a economia, criar mais e melhor emprego, e assegurar a sustentabilidade financeira da Segurança Social.
Uma política que ponha o país a produzir mais para importar menos, que potencie a força de trabalho altamente qualificada que dispomos e a coloque ao serviço de um desenvolvimento sustentável que promova a coesão social e territorial.
Uma política que respeita e incorpore os desígnios inscritos na CRP, aprofundando a democracia nas suas vertentes política, económica, social e cultural.
Uma política de esquerda e soberana, que recupere os sectores e empresas estratégicas para o Estado, coloque o capital a pagar impostos e, simultaneamente, os reduza aos trabalhadores e pensionistas, para assegurar o financiamento de mais e melhores serviços públicos, de mais e melhor educação e saúde e a cobertura de todos os desempregados por prestações de desemprego.
Estimados convidados, camaradas e amigos:
A CGTP-IN tem na declaração de princípios e objectivos programáticos os eixos que nos vinculam na acção sindical de todos os dias. Somos uma organização sindical de classe, unitária, democrática, independente, solidária e de massas.
Estes valores não são um mero enunciado, mas o alicerce da CGTP-IN resultam da nossa história, do compromisso colectivo de todos, da base ao topo, os efectivarmos na acção para a resolução dos problemas imediatos dos trabalhadores e para a elevação da sua consciência social, política e de classe para alcançarmos os objectivos mais vastos de transformação da sociedade.
Fiel aos seus princípios, a CGTP-IN toma partido nesta luta secular em que "reconhece o papel determinante da luta de classes na evolução histórica da humanidade ...".
A nossa luta e a sua eficácia alicerça-se na Unidade, uma unidade na acção que é a força dos trabalhadores e com eles se reforça. Unidade que reconhece e incorpora a pluralidade do mundo laboral e que, fundamentada na acção em defesa de interesses comuns, impõe o combate a todas as tentativas de ingerência como condição para o reforço dessa mesma unidade.
Somos um Movimento Sindical independente da vontade de terceiros, apenas subordinado aos interesses de quem trabalha.
Assumimos de forma plena a democracia, valorizando o contributo de todos, o que implica o respeito individual pelas decisões colectivas.
Não abdicamos da solidariedade de classe e internacionalista, elemento incontornável para a emancipação dos trabalhadores portugueses e de todo o mundo.
E somos uma organização de massas. Porque nela se organizam e participam todos os trabalhadores, porque rejeitamos a burocratização e a etilização do Movimento Sindical ou o sindicalismo de dimensão meramente institucional ou, se quisermos, do acordo a qualquer custo, sem princípios nem valores.
É esta matriz, é esta atitude intransigente de tomar partido pelos trabalhadores, pelos desempregados, pelos jovens e os reformados, que faz da CGTP-IN um poderoso instrumento para a acção dos trabalhadores.
Esta é a Central Sindical que somos e não aquela que outros queriam que fossemos.
Esta é a CGTP-IN, que no últimos 4 anos sindicalizou mais de 104 mil trabalhadores!
Este feito, num tempo de cortes salariais, nos direitos e nas retribuições, com uma destruição de centenas de milhares de postos de trabalho, com a precariedade a subir em flecha, com a intensificação das pressões patronais que contou com mais instrumentos para impor o medo e a resignação, com os despedimentos mais fáceis e baratos, traduz as potencialidades e a vitalidade do projecto sindical que corporizamos.
Só a justiça dos nossos objectivos, a firmeza com que defendemos os direitos dos trabalhadores e a persistência da nossa intervenção, tornou possível que mais de 104 mil trabalhadores se sindicalizassem nos nossos sindicatos, superando a meta a que nos tínhamos proposto no último Congresso.
E é porque somos uma organização que vive e respira, o sentir e o pulsar dos trabalhadores nos locais de trabalho, que propomos ao Congresso que agora iniciamos, o lançamento de uma Campanha de Sindicalização de 110 mil trabalhadores, nos próximos quatro anos, uma campanha que tem de se articular com iniciativa nos locais de trabalho, o dia-a-dia dos trabalhadores e a dinamização da acção reivindicativa. Mais sindicalização, mais responsabilização, mais participação, mais acção, mais CGTP-IN, eis os objectivos a que nos propomos com esta campanha.
Mas se este é um desafio que a todos compromete, há um outro que não podemos deixar de dar resposta. Numa altura em que cerca de um milhão de trabalhadores se encontram numa situação de precariedade, em que se generalizam as práticas que convertem o trabalho precário num flagelo do mundo laboral; em que a precariedade, afectando todos, incide de forma particular sobre os jovens, com uma larga maioria que só conhecem a instabilidade no trabalho, é preciso que este grande colectivo responda mais uma vez a um problema que afecta os trabalhadores, os jovens e a generalidade das famílias em Portugal. A precariedade é uma praga que importa combater com todas as nossas forças. Por isso, vamos lançar uma Campanha Nacional Contra a Precariedade pelo Trabalho com Direitos.
Quando nos anos 80 iniciámos uma campanha para acabar com o trabalho infantil, muitos afirmaram que, sendo uma causa justa, seria impossível por se tratar de uma questão cultural. Na batalha que agora vamos travar, enfrentaremos os que enriquecem com o trabalho precário, os que com ele fazem negócio e os que o consideram natural, inevitável e normal. Tal como nessa altura, como em todas as batalhas, a mobilização dos trabalhadores, de todos os trabalhadores, será fundamental para uma acção persistente e tenaz, que não vai parar até que o objectivo de erradicar a precariedade esteja alcançado.
O tempo é de acção!
É possível, urgente e necessário repor, defender e conquistar direitos!
Vamos ao trabalho para mais e melhor ORGANIZAÇÃO, UNIDADE E LUTA!
Vamos ao trabalho, pelo emprego com direitos, pela soberania e o progresso social!
Vamos ao trabalho com a força dos trabalhadores, motor da transformação social!
VIVA O XIII CONGRESSO!
VIVA A CGTP-IN!
Lisboa, 26 de Janeiro de 2016














sessao2 MG 1853
A CGTP-IN e os órgãos de Comunicação Social
DEOLINDA MG 0204Intervenção de Deolinda Machado
Membro do Conselho Nacional
A CGTP-IN e os órgãos de Comunicação Social
Quero iniciar esta minha intervenção com uma saudação a todas e a todos os congressistas presentes neste 13º Congresso da CGTP-IN. Na pessoa de cada um de vós, saúdo todas e todos os trabalhadores portugueses, bem como aqueles que vivem e trabalham no nosso país. Quero saudar todas e todos os que deixam os Órgãos de Direcção deste Movimento Sindical Unitário, mas que continuam no nosso projecto CGTP-IN, nesta organização de cuja história nos orgulhamos ao longo dos 45 anos de intervenção e luta por melhores condições de vida e de trabalho.
Nesta sociedade do descartável e da economia que promove a escravatura, exige-se assegurar a valorização do trabalho e dos sindicatos, afirmar a dignidade da pessoa como centro de vida, humanizar as condições de trabalho para todos. Combater as desigualdades, a exploração e o empobrecimento é o caminho.
A nossa história colectiva escreve-se quotidianamente nos locais de trabalho, nos êxitos conseguidos a partir da resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do país. A CGTP-IN continuará a luta heróica das mulheres e homens trabalhadores que nos precederam neste trajecto.
Muitos estão entre nós, outros já partiram, mas todos escreveram páginas deste nosso livro colectivo com a sua abnegada entrega à luta pela transformação deste país e deste povo, à luta por um mundo mais justo e solidário.
Uma palavra para os que chegam a esta grande central sindical. Nós contamos convosco e vós contareis sempre connosco. É neste abraçar por dentro, em torno da defesa dos trabalhadores, que nos encontraremos sempre.
Estamos quase a comemorar os 40 anos da Constituição da República Portuguesa. A democracia, a liberdade e a soberania são, entre outros, pilares constitutivos do Portugal de Abril. As eleições de Outubro passado permitiram traçar um novo quadro político, reforçar a democracia, renovar a esperança, inaugurar uma nova fase de entendimento e de compromisso em defesa dos trabalhadores, do povo e do país. Este é um desafio que a todos envolve e compromete. É o desígnio que abraçamos.
São extremamente importantes as responsabilidades de todos e de cada um aqui presentes. A militância, a definição das prioridades e a acção de todos, em torno do projecto CGTP-IN, organização sindical de classe, unitária, democrática, independente e de massas, fará das fraquezas força, e traçará as principais orientações para o Movimento Sindical, dando concretização a uma democracia de progresso e desenvolvida no nosso país que, com outros povos, fará caminho para um mundo de Paz, de justiça e solidariedade efectiva, pois é possível um mundo melhor.
Esta acção permanente é transversal a todas as áreas de intervenção do sindicalismo, mas é da comunicação social que falaremos.
Com a reprivatização e a concentração da propriedade de empresas de comunicação social, com a concentração da publicidade e a sua influência na sustentabilidade dos órgãos de comunicação social, deu-se a comercialização acelerada da informação e a cada vez maior penetração das assessorias das mesmas nas redacções e na marcação da agenda política e ideológica dos interesses do capital e o predomínio do entretenimento é assinalável, em prejuízo da informação. Estes factos estão presentes no tratamento de certos temas, na submissão aos seus interesses de classe, aos interesses económicos, na lógica perversa da concorrência de mercado, baseada na oferta de baixa qualidade e no sensacionalismo, em detrimento das dimensões formativa, cultural, informativa e social, numa linha de continuidade intencional no assalto à consciência política dos portugueses.
Nos últimos anos, a referida concentração de poder tratou a informação como uma mercadoria, cuja aposta incide na cultura da imagem, na venda rápida, superficial, lucrativa, submetendo-a aos interesses ideológicos do grande capital, sobrepondo os valores comerciais aos valores jornalísticos, a que se acrescenta a omissão intencional e manipuladora da informação, impedindo o completo esclarecimento dos cidadãos. Em causa, fica a ética que preside à liberdade de informação e ao jornalismo de investigação e os direitos dos profissionais.
Há um considerável número de empresas de comunicação que intensifica a produção de materiais jornalísticos onde proliferam a precariedade, a intimidação e a represália, instabilizando a vida dos trabalhadores. São frequentes os contratos a prazo ou de prestação de serviços, falsos recibos verdes, a utilização consecutiva de estagiários para ocupação de postos de trabalho permanentes. Em consequência de despedimentos e de saídas forçadas de profissionais com experiência, as redacções dos órgãos de comunicação social estão a ficar sem memória. Como resultado, e de forma assinalável, esta ausência traduz-se na cobertura deficiente do tratamento das questões do trabalho e dos sindicatos.
O movimento sindical unitário continua a ter como desafio a elevação do nível de consciência social, político-sindical e de classe dos trabalhadores, através da formação e informação específicas e adequadas às necessidades identificadas. Adequar cada vez mais as mensagens sobre as nossas posições aos diferentes destinatários, é o objectivo a atingir.
A informação e a comunicação sindical,nas suas diversas dimensões – junto dos trabalhadores e da população, relacionamento com os órgãos de comunicação social e com os associados dos Sindicatos e público em geral – continuará a constituir um pilar essencial e indispensável da acção sindical. A formação de dirigentes responsáveis, por áreas e frentes de acção, e pelos que acompanham regiões e coordenam sectores, é primordial nos próximos anos.
Continuar o estudo da realidade comunicacional nos grupos de trabalho criados para a Informação e Propaganda e para a Comunicação Social, bem como junto das universidades, para melhor munir os trabalhadores de instrumentos que estimulem a sindicalização, mobilizem e motivem a participação democrática na vida sindical e promovam a solidariedade de classe, é um desafio permanente.
No que concerne à relação do Movimento sindical com os meios de Comunicação Social e no que respeita à divulgação, valorização das lutas e dos resultados alcançados pelos trabalhadores, importa reforçar a estratégia de comunicação planificando e gerindo previamente a informação. Assim, impõe-se continuar e reforçar a tomada de posição sobre diferentes temas da actualidade noticiosa, tratar a informação sindical a difundir, contactar os profissionais da comunicação social, estar permanentemente contactável e colocar-se à disposição para o aprofundamento, debate e esclarecimento.
Importa levar junto dos órgãos de comunicação social a importância do factor trabalho e alertar para a igualdade de tratamento, numa abordagem plural e não somente na presença do mundo empresarial, quer seja na imprensa especializada, quer nos programas de economia das televisões e rádios. A CGTP-IN continuará a defender o tratamento dos temas do trabalho, dos trabalhadores, dos direitos, reivindicações e lutas.
Por outro lado, a fragilização da Agência Lusa assente na redução dos seus profissionais tem, como consequência, menos informação, menor rigor e menor diversidade. Apostar no reforço e não na redução destes profissionais é o que se impõe.
De salientar o esforço de muitos profissionais da comunicação que continuam a fazer um trabalho de grande qualidade e nem sempre entendido e aceite por quem toma as decisões sobre o alinhamento das notícias, ou por quem decide sobre os seus vínculos laborais, alargando os leques da precariedade que continuaremos a combater.
Relativamente ao trabalho a desenvolver no Conselho de Opinião da Rádio e Televisão de Portugal SA e nos demais fóruns em que participa, a CGTP-IN continuará a opor-se a tentativas de privatização e desmantelamento dos serviços públicos de rádio e televisão, e designadamente, a cortes de indemnizações compensatórias (as quais devem financiar, também, as antenas internacionais, os arquivos, bem como as demais obrigações de serviço público). A CGTP-IN continuará a pugnar por um serviço público de rádio e televisão e da agência noticiosa Lusa, defendendo a articulação com o serviço público de defesa da língua e cultura portuguesas, a ligação à diáspora, nomeadamente com reabertura das emissões em onda curta, e bater-se-á por um serviço público de rádio e televisão assegurado por empresas públicas que garantam informação rigorosa, isenta, plural e objectiva, um serviço público que contribua para o aprofundamento e consolidação da democracia e da soberania nas suas múltiplas vertentes. Continuará ainda a exigir que a TDT (Televisão Digital Terrestre) esteja ao alcance de todas as famílias de Portugal, como um serviço público de excelência e com a introdução de novos canais que actualmente vigoram no sistema pago.
A CGTP-IN continuará a informar os jornalistas de toda a actividade que desenvolve e a ser proponente, reivindicativa e atenta à realidade local, regional e nacional. A acção no terreno e a sua divulgação são fundamentais para a defesa dos direitos e garantias dos trabalhadores.
A unidade na organização e na luta reforçará a acção sindical. O compromisso que assumimos na construção deste projecto de esperança, de justiça de dignidade para todos no trabalho e na vida, dá-nos força para vencer os desafios. A força dos trabalhadores vencerá!
Com a luta permanente dos trabalhadores, uma informação rigorosa, livre, isenta e plural e com a força da CGTP-IN, uma sociedade de paz, de justiça social, triunfará para todos.
MAIS FORÇA AOS TRABALHADORES
POR PORTUGAL LIVRE E SOBERANO
UM PORTUGAL COM FUTURO!
Viva este nosso 13º Congresso!
Viva a CGTP-Intersindical Nacional!
Almada, 26 de Fevereiro de 2016

A Administração Pública e a luta dos trabalhadores

AVOILA2 DSC 0010Intervenção Ana Avoila
Membro do Conselho Nacional
A Administração Pública e a luta dos trabalhadores
Camaradas,
Com a Constituição da República Portuguesa como pedra basilar dos serviços públicos e da Administração Pública, é aos seus trabalhadores que cabe garantir e efectivar as funções sociais do Estado que o Governo PSD/CDS-PP elegeram como alvo principal das suas políticas de empobrecimento e destruição.
A direita, na sua senda revanchista contra Abril tentou alcançar o seu objectivo que é também objectivo do grande capital: a reconfiguração do Estado. Com a ajuda da troika estrangeira que, por toda a Europa tenta submeter económica e financeiramente as soberanias nacionais ao grande capital, tentou concretizar entrega aos privados de sectores fundamentais da economia portuguesa através das privatizações do sector produtivo, comunicações, sector energético, do sector agrícola, de serviços públicos vendendo por "tostões" ao privado sectores que hoje são dos mais lucrativos no quadro da iniciativa económica privada.
A par disto, foi sendo desmantelada a estrutura de prestação dos serviços públicos com o encerramento de serviços e destruição de postos de trabalho – entre 31 de Dezembro de 2011 e 31 de Dezembro de 2015 o número de trabalhadores da Administração Pública diminuiu em cerca de 80.000.
O ataque aos trabalhadores da Administração Pública foi contínuo nestes últimos 4 anos: sucessivos roubos salariais e nas pensões, cortes nos subsídios de férias e de Natal, congelamento das progressões nas carreiras, inexistência de aumentos salariais, congelamento de todas as pensões acima dos 1º e 2º escalões das pensões mínimas, aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais, possibilidade do despedimento sem justa causa através da chamada requalificação, proibição de contratação nos serviços públicos deixando-os em situações de total ruptura, precarização das relações laborais, entre muitas outras medidas.
Entre 2010 e 2015 o ganho médio líquido mensal real dos trabalhadores da Administração Pública diminuiu em 18,2% e o ganho médio líquido real hora reduziu em 28,4%. O aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas representou 137 milhões de horas gratuitas e o não pagamento de 800 milhões de euros aos trabalhadores.
O mandato PSD/CDS-PP foi a imposição despótica das suas medidas tiranas de empobrecimento dos trabalhadores da Administração Pública, com atitudes de total ilegalidade e desrespeito pelos trabalhadores, promovendo despedimentos na Administração Pública, com atitudes de total ilegalidade e desrespeito pelos trabalhadores, promovendo despedimentos na Administração Pública, encerramentos de serviços públicos, menos investimento público, usando os trabalhadores como bode expiatório da crise e para diminuir o défice das contas públicas.
A resposta dos trabalhadores e dos aposentados foi grandiosa:
Nos últimos 4 anos foram centenas as greves, manifestações, ocupações de Ministérios, lutas sectoriais e gerais. Greves dos médicos, enfermeiros, da greve dos assistentes operacionais, técnicos e outros profissionais do sector da saúde, as greves dos docentes e não docentes, greve e paralisações dos funcionários judiciais e dos guardas prisionais, a luta dos trabalhadores civis dos estabelecimentos fabris do Exército e empresas de defesa contra a extinção das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, Oficiais Gerais de Material de Engenharia e Manutenção Militar, as várias lutas dos trabalhadores da administração local pelas 35 horas de trabalho, a grandiosa manifestação da Administração Pública no dia 31 de Outubro de 2014 em defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, a luta dos trabalhadores da Segurança Social contra o processo de requalificação no ISS, a greve ao trabalho suplementar dos trabalhadores dos museus, sítios e monumentos, as lutas do pessoal não docente dos estabelecimentos de educação da rede pública, a luta dos trabalhadores do Instituto Português do Sangue e do INEM por melhores condições de trabalho, a marcha descentralizada com milhares de trabalhadores nas ruas a 7 de Março de 2015, a grandiosa greve nacional de 13 de Março de 2015 e a greve da Função Pública, enfermeiros e trabalhadores do exército pelas 35 horas no passado dia 29 de Janeiro e as várias lutas desenvolvidas quer nos locais de trabalho, quer em acções de rua nestes últimos anos que resultaram na derrota do PSD e CDS e na criação de uma nova correlação de forças no Parlamento que permitiu já traduzir algumas das reivindicações dos trabalhadores, ainda que aquém do muito que há para fazer.
É urgente a actualização dos salários dos trabalhadores da Administração, congelados há mais de 10 anos, o descongelamento das progressões nas carreiras; a actualização do subsídio de refeição; a reposição do valor das horas extraordinárias; a diminuição dos descontos para a ADSE para 1,5€ sobre 12 meses; a regulamentação do suplemento de Insalubridade, Penosidade e Risco; a possibilidade de contratação de trabalhadores na administração central e local e a revogação da lei de despedimento na Administração Pública, mais conhecida por "requalificação".
Não existe democracia sem uma Administração Pública de qualidade, ao serviço dos trabalhadores e das populações, que garanta o exercício dos direitos constitucionais de todos e ao mesmo tempo o direito dos seus trabalhadores a um posto de trabalho digno e com direitos. E está nas nossas mãos organizar, intervir e lutar para que este objectivo seja uma realidade.
Vivam os trabalhadores da Administração Pública!
Viva o 13º Congresso da CGTP-IN!
Almada, 26 de Fevereiro de 2016.

A CRP, as Funções Sociais do Estado e os Serviços Públicos

JOSE AUGUSTO MG 2256Intervenção José Augusto
Membro do Conselho Nacional
A CRP, as Funções Sociais do Estado e os Serviços Públicos
Caros Camaradas
Estimados convidados
Uma saudação fraterna a todos vós, Delegadas e Delegados ao XIII Congresso da nossa Central, legítimos representantes das trabalhadoras e trabalhadores Portugueses.
Quatro anos passaram!
Foi dura a luta e firme a resistência em defesa dos direitos.
Registámos avanços e recuos. Mas foi a luta organizada o factor determinante que permitiu travar o passo à ofensiva aniquiladora desencadeada pelo Governo do PSD/CDS, que apesar da violência com que a desencadeou, foi derrotado e impedido de concluir o que pretendia.
Ao longo dos últimos anos, a luta dos trabalhadores e de outras camadas da população elevou-se a novos patamares com expressão directa, quer na amplitude para obstaculizar a ofensiva patronal e governamental, quer nas derrotas impostas ao PSD e ao CDS-PP nos diversos processos eleitorais, seja nas eleições para as Autarquias e Parlamento Europeu, seja na perda da maioria na Assembleia da Republica que inviabilizou a formação de Governo, e assim, a possibilidade de concluir o que a luta dos trabalhadores impedira.
Não o conseguiram e foram derrotados!
Foram derrotados porque pela frente encontraram esta CGTP-IN, poderosa Organização Colectiva dos Trabalhadores
Não o conseguiram e foram derrotados!
Porque vale sempre a pena lutar. Porque quem não luta perde sempre!
As Funções Sociais do Estado e os Serviços Públicos foram o alvo das chamadas reformas estruturais anotadas na cartilha neoliberal de agravamento da exploração e do empobrecimento, numa lógica de favorecimento dos interesses privados através da privatização dos sistemas públicos.
Em consequência, acentuou-se a degradação contínua e o acesso aos serviços prestados às populações, designadamente nas áreas da segurança social, da saúde e da educação, por parte dos cidadãos cujos salários, pensões, subsídios de desemprego e outras prestações sociais, foram sendo sucessivamente reduzidos.
PSD e CDS governaram afrontando a Constituição da República, que determina as Funções que ao Estado incumbe assegurar no sentido de alcançar a justiça social e a igualdade de facto entre todos os cidadãos. Fizeram letra morta da principal característica de todos os direitos fundamentais, que é a universalidade.
O Governo do PSD/CDS-PP foi assim bem fiel ao seu desígnio de classe.
A efectivação dos direitos sociais implica que o Estado e, consequentemente, toda a sociedade assumam solidariamente um conjunto de encargos, a fim de sustentar a satisfação de necessidades sociais básicas, como a saúde, a protecção social e o ensino, tendo sempre uma particular atenção à protecção dos cidadãos mais vulneráveis.
A principal fonte de receitas do Estado são os impostos – que existem precisamente para gerar receitas destinadas a ser utilizadas da forma mais eficaz possível, na satisfação das necessidades dos cidadãos, através da prestação das Funções Sociais, como a educação, a saúde e a protecção social, entre outros – então, o sistema fiscal tem que ser entendido também como um instrumento de justa repartição dos rendimentos e da riqueza, a fim de assegurar a diminuição das desigualdades geradas no processo produtivo e permitir uma divisão de encargos.
Para a CGTP-IN, como muito bem sublinha a proposta de Programa de Acção em debate no nosso Congresso, a função redistributiva não deve ser assegurada retirando direitos a quem mais tem, mas sim garantir que através do sistema fiscal também contribua mais, quem mais tem.
Mas, precisamente porque contribui em proporcionalidade aos seus rendimentos, não deve perder a titularidade dos direitos sociais, que são, por natureza, direitos universais.
O sistema público de Segurança Social tem sido um dos alvos privilegiados da ofensiva privatizadora que o grande capital económico e financeiro vem perseguindo desde há muito tempo.
Nos últimos anos, a ofensiva intensificou-se, quer no plano da campanha ideológica sobre um pretenso risco de sustentabilidade do sistema público, com o objectivo de reduzir a despesa social e, ao mesmo tempo, avançar terreno no caminho da privatização.
Desde 2010, que a Segurança Social pública foi profundamente afectada pela política de direita, sendo de destacar:
§ Os cortes nas pensões e prestações sociais em geral, o congelamento dos montantes, com excepção de algumas das pensões mínimas, e a publicação de medidas legislativas que diminuíram os direitos dos trabalhadores;
§ A redução das transferências do Orçamento de Estado para financiar a componente não contributiva (Sistema de Protecção Social de Cidadania);
§ A Medidas de privatização em que, se intensificou a transferência das respostas na área da acção social pública para Instituições privadas de Solidariedade Social (IPSS) e para o sector privado;
§ A degradação da situação financeira do Sistema Previdencial, devido à quebra de contribuições sociais e ao agravamento do desemprego;
§ O recurso a medidas e a programas de natureza assistencialista, como o Programa de Emergência Social (PES), criado em 2011, e focado na carência alimentar e na delegação de funções nas IPSS.
Estas medidas tiveram como principal consequência a redução do direito à segurança social cujos principais impactos se expressam na quebra do valor das pensões e prestações, no aumento do número de desempregados sem prestações de desemprego, na redução drástica dos beneficiários de prestações não contributivas (como o abono de família, o complemento solidário para idosos e o rendimento social de inserção) e na privatização da acção social.
O Governo do PSD/CDS-PP visou assim substituir a segurança social pública, universal e solidária por prestações dirigidas aos pobres e o encaminhamento para o chamado mercado dos restantes beneficiários.
Para isso promoveu uma "divisão social" assente na fractura de gerações, entre novos e idosos; entre empregados e desempregados; e ainda, na desinformação, confundindo propositadamente prestações contributivas com prestações e apoios financiados com impostos.
Intensificou a campanha em torno da tese da insustentabilidade da segurança social, da diminuição das contribuições sociais e no ataque ao sistema de pensões.
Consideramos um paradoxo que o discurso sobre a sustentabilidade da Segurança Social venha a par com intenções manifestadas pelo Governo do Partido Socialista para a redução da TSU, aliás, intenção já concretizada em parte com a Segurança Social a financiar os patrões em cerca de 30 milhões de euros para aumentar o Salário Mínimo Nacional. Medidas deste tipo contarão sempre com a nossa frontal oposição, face a intenções que consideramos demolidoras para o sistema de segurança social pública.
Consideramos ainda que tais intenções potenciam a substituição do modelo de solidariedade intergeracional, na medida em que deturpa o princípio do regime de repartição com benefício definido, abrindo a porta a um modelo de menores direitos de segurança social, quebrando a relação salário-contribuição-prestação, considerando que a taxa de substituição do salário pela pensão se está a afastar consideravelmente.
Pela nossa parte, temos reivindicações e propostas objectivas, que não são neutras nem apolíticas!
Tomam partido e vamos continuar a bater-nos por elas.
Esclarecendo e mobilizando os trabalhadores, ganhando outros sectores e camadas da população e ampliando a luta à escala nacional.
É nesse mesmo sentido que vão as propostas de Programa de Acção e de Carta Reivindicativa que estão à discussão do Congresso,
Permitam-me que termine, citando Bertolt Brecht:
"Pergunta sempre a cada ideia: A quem serves?"
Pela nossa parte concluímos:
Se servir aos interesses dos trabalhadores contará sempre com o nosso apoio.
Em sentido inverso, contará sempre com o nosso firme e empenhado combate.
Viva o XIII Congresso da CGTP-IN
A Luta Continua!
Almada, 27 de Fevereiro de 2016
A juventude presente.

Defender e reforçar o Serviço Nacional de Saúde, Prestador Público, que garante o acesso universal à generalidade dos cuidados e gratuito

JOSE CARLOS MG 2226Intervenção José Carlos Martins
Membro do Conselho Nacional
Defender e reforçar o Serviço Nacional de Saúde, Prestador Público, que garante o acesso universal à generalidade dos cuidados e gratuito
1 – Recordar a importante reafirmação
A Constituição da República Portuguesa garante (art.º 64º) que:
"Todos têm direito à protecção da saúde ...", incluindo os domínios da promoção da saúde e da prevenção das doenças, do tratamento e da reabilitação, ao longo do ciclo de vida das pessoas e famílias;
Este "... direito à protecção da saúde é realizado ... Através de um serviço nacional de saúde" (SNS).
Assim, para concretizar este direito à protecção da saúde, para além das políticas públicas de saúde a nível nacional, regional e local, o SNS tem que ter uma fortíssima componente prestadora (Centros de Saúde, Hospitais, Recursos Humanos em número e diversidade necessários, meios de diagnóstico, etc), pública e disseminada pelo território português, de forma a garantir o acesso universal de todos os cidadãos, à generalidade dos cuidados que necessitam em cada momento e de forma gratuita no momento de acesso.
É neste quadro:
ü Que o SNS, enquanto Sector Público Prestador, é o núcleo estruturante do Sistema de Saúde Português;
ü Que o Sector Privado, detido pelos grupos económico-financeiros e pelo designado Sector Social, detêm, ou deve deter, uma actuação de complementaridade. Ou seja, garante "respostas em saúde" quando o SNS não as assegure.
Apesar das políticas de direita, liberais e neoliberais, prosseguidas por sucessivos governos durante as últimas décadas, contrárias a estes desígnios constitucionais, o nosso SNS, emergido com a Revolução de Abril,
§ É reconhecidamente um dos melhores serviços de saúde do mundo;
§ É comprovadamente um dos serviços públicos portugueses mais eficientes;
§ É inquestionavelmente um poderoso meio de coesão social, concretizador da função redistributiva inerente ao Estado Social que defendemos.
2 – A política de direita ... os últimos 4 anos ... elementos de diagnóstico
A área da saúde, sobretudo no domínio da resposta à doença, é qualificada como uma das grandes áreas de negócio. Para os "famigerados mercados", com concreta tradução no Sector Privado, dirão que é uma área de negócio excelente: todos os cidadãos desejam manter ou melhorar a sua qualidade de vida; o n.º de clientes aumentará exponencialmente; clientes que encontrarão sempre as necessárias condições para pagar e não terão condições para discutir a qualidade e preço do serviço prestado.
Neste quadro, para o Sector Privado, na senda da gestão do maior volume possível das rendas públicas e dos particulares, é vital a combinação de 3-4 factores:
§ Que as políticas de saúde desvalorizem e não invistam na promoção da saúde e prevenção das doenças;
§ Que o SNS diminua a sua capacidade de resposta, emergindo e aumentando essas respostas no sector privado. Como se faz? Utiliza-se o estrangulamento financeiro das Instituições Públicas de Saúde, não se contratam profissionais e sob a dita narrativa das reestruturações, fusões e reformas encerram-se serviços, valências e recursos de proximidade.
§ Consequentemente, que o SNS seja descredibilizado perante a população ... as Urgências são sempre um inferno ... há listas de espera para cirurgias, consultas e exames ... não há vagas nos cuidados continuados e poucos cuidados domiciliários face às necessidades.
§ Por último, recordando que a Saúde gere mais ou menos 8 Mil Milhões de euros dos nossos impostos, importa que o Sector Privado assuma a gestão de instituições públicas ou segmentos da prestação que o Estado/SNS tem o dever de garantir.
Ora, nos últimos anos e com especial incidência nos últimos 4, o que constatamos:
ü Milhões de euros do orçamento da saúde que vão directamente para os grupos privados, que os Hospitais em regime de Pareceria Público-Privada;
ü Milhões de euros do orçamento da saúde que vão directamente para as Misericórdias que passam a gerir Hospitais Públicos;
ü Milhões de euros do orçamento da saúde que vão directamente para Misericórdias e IPSS que gerem a quase totalidade da Rede de Cuidados Continuados;
ü Milhões de euros do orçamento da saúde que vão directamente para Hospitais e Clínicas Privadas através do Programa de Recuperação de Listas de Espera em Cirurgia (SIGIC);
ü Por estrangulamento financeiro e carência de profissionais, encerramento de várias intervenções nos Centros de Saúde no âmbito da Promoção da Saúde e de dezenas de serviços hospitalares;
ü Por carência de profissionais e profunda degradação das suas condições de trabalho, inúmeras dificuldades do SNS em garantir a generalidade das necessárias respostas aos cidadãos.
3 – O que importa ... continuar a defender, exigir e lutar
- Uma Gestão eficiente do SNS e sério combate à fraude, corrupção e desperdício; reestruturação da rede hospitalar, retorno à gestão pública dos hospitais entregues recentemente às Misericórdias e dos geridos em regime PPPs; oposição à criação de novas PPP's e fim da promiscuidade público-privado;
- Reforço de meios da rede de cuidados de saúde primários; alargamento e reforço de meios da rede pública de cuidados continuados; articulação das citadas redes com a rede hospitalar e criação de sistemas/comunidades locais de saúde;
- Ao nível dos cuidados de saúde primários, exigir que todos os cidadãos/famílias tenham respostas integradas de cuidados, prosseguidas por equipas multiprofissionais, compostas, designadamente, por médicos e enfermeiros de família; dotar os ACES de autonomia administrativa e financeira; harmonização das condições de trabalho e laborais de todos os profissionais que integram as diferentes unidades funcionais dos ACES; revogar diplomas sobre "municipalização da saúde" e taxas moderadoras em geral, e, no imediato, nos cuidados de saúde primários;
- Garantir condições para a estabilização nos postos de trabalho e a valorização das carreiras e mecanismos de desenvolvimento profissional e salarial dos profissionais de saúde;
Viva o Serviço Nacional de Saúde
Vivam todos os trabalhadores e os Trabalhadores da Saúde em particular
Viva a CGTP
Almada, 27 de Fevereiro de 2016