segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Patranhas governamentais

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Entroncamento, Almoço de Natal da Organização Regional de Santarém

O objectivo do Governo é facilitar os despedimentos


No almoço de Natal, realizado no Entroncamento, o Secretário-Geral, Jerónimo de Sousa, alertou para as notícias de que a troika exige o corte nos salários servirem para o Governo avançar no objectivo de facilitar os despedimentos e transformar o patrão em "juiz em causa própria".
"E se conseguissem o alargamento dos conceitos para despedimentos conseguiriam impor baixos salários e conseguiriam, caso o direito da contratação colectiva fosse liquidado, recuperar facilmente o que parece ser uma vitória, a ideia de que o Governo está contra o corte dos salários”, afirmou.

Para sabermos toda a verdade

Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Lisboa

PCP apresenta proposta de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os ENVC


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O discurso da conveniência

Morreu Nelson Mandela - 1918/2013, 95 anos de luta, com prisão, tortura e humilhação pelo meio. Considerado terrorista, só há muito pouco tempo foi "riscado" de uma lista, elaborada pelos EUA, onde constava como "perigoso para a sociedade e para o mundo".


 1987 - Cavaco Silva contra libertação incondicional de Mandela

Para que não se apague da memória dos portugueses, nunca será demais lembrar que, em 1987, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por 129 votos a favor um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela houve três países que votaram contra: Estados Unidos, cujo presidente era Ronald Reagan, a Grã-Bretanha cujo primeiro-ministro era Margaret Thatcher e Portugal cujo primeiro-ministro era Aníbal Cavaco Silva e o presidente da República Mário Soares.

Hoje e através da televisão, assistimos às mais hipócritas  palavras de  louvor a Mandela.

Desaparece o lutador, fica o exemplo

Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Lisboa

"Nelson Mandela é um exemplo para a luta dos povos"

Ainda sobre Álvaro Cunhal


                           Uma visita indispensável
Mesmo para aqueles que não comungam, perfilham ou abraçam o ideal comunista, um contacto direto com a Exposição, inserida nas Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal e que está patente ao público no edifício da Alfândega do Porto, representa não somente uma curiosidade, mas, muito mais, constitui um ato de pedagogia para adultos e jovens.
Com efeito e apesar da complexidade da vida e obra do homenageado não caber num espaço insuficiente para abarcar noventa e um anos de atividade, setenta e quatro dos quais de intenso empenhamento político e revolucionário como militante e dirigente do Partido Comunista Português, mas também de profunda reflexão teórica nos planos político, ideológico e estético, reflexão essa consubstanciada em imensas obras literárias, estudos, artigos, conferências, discursos, debates e uma rica produção plástica, foi possível optar por momentos e intervenções particularmente significativos para o conhecimento e compreensão de Álvaro Cunhal, nas suas facetas de homem, comunista, intelectual e artista, deixando, no entanto, por mostrar muitos outros momentos e acontecimentos igualmente relevantes.
Apesar destes constrangimentos, muito pode ser visto e compreendido e, para quem puder fazê-lo, tem também a hipótese de adquirir uma substancial quantidade de obras que seguramente constituirão uma mais-valia para estudo, para recolha de elementos e para transmitir de geração em geração.
O legado de Álvaro Cunhal, o seu pensamento, o seu exemplo, o seu trabalho e o seu contributo na luta revolucionária para a transformação do mundo e para uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, constituem património do seu Partido Comunista Português, mas também dos trabalhadores e do povo português e da causa internacional pela emancipação dos povos, sendo ainda um legado de vida que se projeta na atualidade e no futuro, ao serviços dos trabalhadores e da pátria, pela democracia, o socialismo e o comunismo.
É este no fundo o ideal dos comunistas portugueses, a liberdade de pensar, de escrever, de afirmar e de criar, mas é também o direito à verdade, o direito de colocar os principais meios de produção ao serviço do povo e da pátria e não ao serviço do enriquecimento de alguns poucos para a miséria de muitos, é erradicar a fome, a miséria e o desemprego, é garantir a todos o bem-estar material, o acesso à instrução, à saúde e à cultura, é promover a expansão da ciência, da técnica e da arte, é assegurar à mulher a efetiva igualdade de direitos e condição social e à juventude o ensino, a cultura, o trabalho, o desporto e a alegria de viver, é criar uma vida feliz para as crianças e anos tranquilos para os idosos, é afirmar a independência nacional na defesa intransigente da integridade territorial, da soberania, da segurança e da paz e no direito do povo português a decidir do seu destino.
E é, enfim, a construção em Portugal de uma sociedade verdadeiramente socialista, correspondendo às particularidades nacionais, aos interesses, às necessidades, às aspirações e à vontade do povo português, uma sociedade de liberdade e abundância, em que o Estado e a política estejam inteiramente ao serviço da população e onde o poder político não esteja subordinado ao poder económico, para que, parafraseando Álvaro Cunhal, «vida fora, todos realizem os seus sonhos».   


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Moção de censura ao governo apresentada pelo PCP

Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Angra do Heroismo


PCP apresenta moção de censura ao Governo PSD/CDS e à política de direita

domingo, 1 de dezembro de 2013

Exposição sobre Álvaro Cunhal, no Porto

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Porto, Acto de abertura da Exposição «Álvaro Cunhal – Vida, Pensamento e Luta: Exemplo que se Projecta na Actualidade e no Futuro »

Abertura da Exposição Álvaro Cunhal, no Porto


Em nome do Partido Comunista Português a todos saúdo e agradeço a vossa presença em mais este marcante acontecimento do intenso e diversificado calendário de iniciativas que estamos a levar a cabo no âmbito das comemorações do nascimento de Álvaro Cunhal.
A exposição que agora se abre e se dá a conhecer ao povo da cidade do Porto e de toda a Região Norte, para além da homenagem e do reconhecimento que encerra à figura ímpar de Álvaro Cunhal, à sua vida, à sua actividade política, à sua e nossa luta, ao seu pensamento e à sua obra é, pelo seu valor informativo, didáctico e estético, de grande utilidade para quem quiser conhecer não só o seu percurso de revolucionário corajoso e integro, comunista de toda a vida, de uma vida densa e multifacetada, mas também o desenrolar do próprio fio de história do último século, nos seus momentos mais expressivos e significativos, no plano nacional e internacional.
De uma história onde Álvaro Cunhal não foi apenas um mero espectador, mas desde muito jovem um activo protagonista, um construtor de novas realidades nos domínios da política, da arte e da cultura.
Um revolucionário de corpo inteiro cujo trajecto, como podereis verificar, está impresso de forma indelével na história da luta do movimento operário por um projecto de emancipação social e contra a exploração, e na história do nosso povo pela conquista da liberdade, da democracia, por um projecto de desenvolvimento ao serviço do país e do povo, por uma sociedade nova e pela independência nacional deste país quase milenar.
Esta exposição que ides ver, mostra o percurso de um revolucionário que transporta consigo uma história que conta outras histórias, pessoais e colectivas. Uma história de uma vida que está dentro de uma história maior, a História do seu Partido – o PCP – e que, por sua vez, se confunde com a História do nosso povo nestes quase cem anos que nos separam da sua criação.
Deste Partido que ajudou a construir de forma marcante a partir dos anos 40 e que, como nunca nos cansaremos de afirmar, não seria o que é, com as suas características e identidade, sem o contributo de Álvaro Cunhal, nem Álvaro Cunhal seria o que foi sem este Partido Comunista Português.
Uma história de vida e um percurso que inicia inspirado nos valores e realizações da Revolução de Outubro e selando um compromisso de honra de uma vida inteiramente dedicada à luta da emancipação dos trabalhadores e dos povos, ao movimento de libertação nacional, à paz, ao socialismo, ao projecto comunista.
Um compromisso tomado quando o nosso país enfrentava já a tragédia do fascismo e no horizonte se perfilavam as nuvens negras que transportavam a tragédia da guerra que, em breve, se iria abater sobre o mundo. Um compromisso de coragem coragem, num tempo, como ele próprio descrevia então, ser um tempo de grandes opções e terríveis ameaças para a humanidade.
Um percurso de intervenção e de luta que Álvaro Cunhal percorrerá até ao dia em que nos deixou pela imperativa imposição das leis da vida, com uma indomável determinação e grande abnegação, resistindo às mais terríveis e duras provas em dezenas de anos de vida clandestina e prisão, sem capitulação e com a dignidade e nobreza dos combatentes convictos.
Um percurso feito de vitórias e derrotas, avanços e recuos, enfrentando inimigos terríveis e sem escrúpulos. Mas um percurso de alegrias e de confiança. De alegrias sentidas e partilhadas por quem está na luta e por quem luta. De confiança nos seus companheiros de jornada e de projecto. De confiança nos trabalhadores, na juventude, no nosso povo.
Personalidade fascinante, Álvaro Cunhal foi um dirigente político experimentado e perseverante, estudioso e conhecedor da realidade portuguesa e das relações internacionais. Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida à solução dos problemas da sociedade portuguesa e à concretização de um projecto de desenvolvimento ao serviço do país e do povo, por uma sociedade nova e pela independência nacional.
Isso vê-se em toda a sua extensa e diversificada obra e em toda a sua acção e intervenção política, partidária e institucional e na capacidade que Álvaro Cunhal revela de olhar ao mesmo tempo para o passado e para o futuro, tendo sempre em conta a realidade do presente e a ideia que o futuro se constrói com a luta de hoje.
Essa capacidade de olhar para o passado, para a profundidade da história, como Álvaro Cunhal o fez em «A luta de Classes em Portugal em finais da Idade Média» e onde encontra e mostra nesse combate decisivo para a nossa independência como povo, um combate que hoje novamente travamos quando o país está confrontado com a ingerência estrangeira.
A mesma capacidade para olhar e projectar o futuro como o fez em «Rumo à Vitória» essa obra notável onde se define o Programa para a «Revolução Democrática e Nacional» e das orientações e tarefas para a sua realização e que, inquestionavelmente, criou condições para a Revolução de Abril, a sua defesa e consolidação, e para as profundas transformações revolucionárias operadas na sociedade portuguesa.
Transformações que se traduziram em importantes conquistas dos trabalhadores e do povo português, em defesa das quais Álvaro Cunhal dedicou o melhor do seu saber, da sua experiência e da sua intervenção, como dirigente do PCP, como Deputado, como Ministro da República nos Governos Provisórios, como Conselheiro de Estado e que a exposição que agora se inaugura bem retrata.
Um percurso de uma vida que marca a diferença e que, estamos certos, não se dissolverá na memória dos homens, pelo seu exemplo de intrépido combatente pela liberdade, a democracia, o socialismo, porque o seu combate necessário e justo tem continuadores que encontram na sua vida, na sua luta, no seu pensamento uma referência e uma fonte de inspiração.
Intelectual, homem de conhecimento, possuidor de uma densa cultura e de uma grande dimensão humanista, deixou-nos um valioso legado teórico de estudos e análise política, mas igualmente uma importante produção artística, nomeadamente no campo da estética, da criação literária e nas artes plásticas, traduzida numa dezena de obras literárias, desenhos e pinturas, mas também importantes reflexões teóricas sobre as questões de arte e estética.
Uma obra diversificada e de grande riqueza e actualidade que é um património de todos os que aspiram construir um mundo melhor e mais justo.
Álvaro Cunhal deixou-nos um imenso legado que esta exposição dá testemunho.
Deixa-nos, desde logo, esse grande exemplo da entrega desinteressada ao serviço de uma causa justa que abraçou. Uma concepção e uma prática política de recusa de vantagens e privilégios sociais. Uma concepção do exercício da actividade política realizada para servir o povo e o país, e não os interesses pessoais ou de grupo, e que nos tempos que correm assume uma grande actualidade.
Deixa-nos o exemplo do homem, do comunista e do intelectual e criador que decidiu escolher e seguir o caminho do combate contra a exploração, a opressão e a guerra, um caminho percorrido do lado e ao lado dos oprimidos, o caminho da dignidade da vida, da honra, da justiça!
Um caminho de uma vida vivida de cabeça erguida, feita de verticalidade, inteireza de carácter, de coerência e coragem, de busca incessante dos caminhos da vitória sobre a injustiça e as desigualdades, e na procura da concretização desse sonho milenar da construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo outro homem.
Esse sonho que deu sentido à vida de Álvaro Cunhal e que continua a dar hoje sentido às nossas vidas!