quinta-feira, 21 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
terça-feira, 12 de agosto de 2014
A verdadeira face do capitalismo
Uma espécie de
república das bananas
Não tinha intenção de regressar a este tema, mas as circunstâncias em
que ocorreu o caso BES, com a facilidade de atuação dos protagonistas, a
impunidade dos mesmos e a repetição da ocorrência no sistema bancário nacional,
levam-me a abrir a exceção.
Os ativos da família Espírito Santo neste momento são constituídos pela
Herdade da Comporta com uma área de 12.500 hectares e projeto
para imobiliário turístico, por 14 unidades hoteleiras, todas de quatro e cinco
estrelas, sediadas no Algarve, Lisboa, Sintra, Coimbra, S. Salvador da Baía e
S. Paulo, disponibilizando 3.000 quartos na totalidade, por 50 balcões de
oferta turística espalhados pelo País, com ramificações em Itália, Espanha e
Angola e uma operadora online, por uma empresa Portucale, proprietária da
Herdade Vargem Fresca no Ribatejo de 510 hectares , ilegalmente
separada da Companhia das Lezírias pertença do Estado para construção de dois
campos de golfe, tendo esta empresa estado envolvida no escândalo do abate
ilegal de sobreiros, no tempo do governo de Santana Lopes, Durão Barroso e
Paulo Portas, por 18 unidades clínicas destacando-se o Hospital da Luz, em
Lisboa, o Hospital da Arrábida, em
Vila Nova de Gaia, e o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures,
por duas fazendas no interior brasileiro, uma no Estado de S. Paulo e outra no
Estado de Tocatins, ambas totalizando 32 mil hectares de área, por uma Herdade
no Paraguai, com 135 mil hectares de área, possuindo 53 mil cabeças de gado,
pela empresa Atlantic Meals-Agroalimentar possuindo três unidades industriais
em Alcácer do Sal, Biscainho e Coruche e outra em Sevilha, pela empresa
imobiliária Espírito Santo Property Brasil com atividade nos estados de S.
Paulo, Santa Catarina, Paraná, Baía e Rio de Janeiro, pela também empresa
imobiliária Espírito Santo Property Portugal com atividade no Estoril, Lisboa,
Azeitão, Santiago do Cacém, Oeiras, Vila Nova de Gaia e Portimão, pela
Companhia de Seguros Tranquilidade e poupanças estratégicas sediadas em offshores no valor de 5 mil e 700
milhões de dólares, como consta.
Na atividade recente mais relevante do BES-Portugal inclui-se um
empréstimo ao BES-Angola de 3 mil milhões de euros e outro ao GES-Grupo
Espírito Santo de 1.200 milhões de euros, dinheiro este irrecuperável dada a
insolvência do Grupo, existindo ainda um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos
ao Grupo de 300 milhões de euros e outro da PT, via Rio Forte, de 900 milhões
de euros, tendo como garantia ações hoje sem validade, ou seja, a exposição de
empresas portuguesas no Espírito Santo Finantial Group, principal acionista do
BES, atinge a módica quantia de mais menos 5 mil milhões de euros, o que
representa um enorme encargo financeiro para o País e um escândalo.
Perante esta nova calamidade económica, aliás, em repetição agravada
das ocorrências no BPN, BANIF e BPP, dizem-nos o primeiro-ministro, o
vice-primeiro-ministro, a ministra das Finanças, o governador do Banco de
Portugal e responsáveis da CMVM que o contribuinte não será afetado e os
papagaios à solta e a soldo procuram via televisão encontrar razões que a razão
desconhece para desculpar esta quadrilha de colarinho branco que, através de
corrupção, agiotagem, conivências e burlas deitam por terra a credibilidade e a
confiança na banca privada, ela própria a nomear os auditores, pasme-se, que
informam os reguladores da sua atividade, todos bem pagos e tudo isto no melhor
dos mundos com governantes apoiando contratos ruinosos, através de PPPs, swapps, submarinos, subconcessão dos Estaleiros
Navais de Viana do Castelo ou casos como Furacão e Monte Branco, coniventes com
a financeirização da economia e a especulação, mostrando a verdadeira face do
capitalismo predador.
Com Vítor Constâncio, Carlos Costa ou qualquer outro com
o mesmo pensamento, a missão do Banco de Portugal torna-se difícil de cabal
cumprimento, dadas as promiscuidades e inoperacionalidade existentes em todo o
sistema, inibindo esta instituição de supervisionar o funcionamento da banca,
como lhe compete.
Por seu lado, o primeiro-ministro aceita como boa a ideia da criação do
Novo Banco, em substituição do BES e para onde irão ser canalizados os ativos
bons e o empréstimo da troika pois o
chamado Fundo de Resolução não possui verba suficiente, ou seja, os dinheiros
públicos servirão para cobrir a operação cuja fatura será paga pelos
contribuintes e não sabemos se nos caberá também o lixo.
Começa um novo ciclo vicioso com o Novo Banco, cuja administração
começará por fechar balcões e despedir trabalhadores e a história repete-se,
sendo curioso transcrever a opinião de responsáveis do banco Goldman and Sachs
emitida há uns dias atrás e depois de se desfazer de ações do BES: Em Portugal
o BES é o banco melhor posicionado para captar quota de mercado, dada a forte
posição de capital e movimento em direção a um sector exportador mais dinâmico.
Assim mesmo com o desplante e a desfaçatez
de quem atua sem qualquer controlo.
O poder político, por sua vontade, deixa-se dominar pelo poder
económico e, tal como aconteceu em 2008 com a falência do Leman Brothers que
desencadeou a crise das dívidas soberanas, a falência do BES recairá sobre a
bolsa dos portugueses que continuarão a pagar estes desmandos, aliás, desde a
entrada da troika a nossa dívida
aumentou 40% e, por este caminho, agravar-se-á consideravelmente, não tenhamos
dúvidas.
Como por parte do presidente de alguns portugueses não é expectável qualquer
atitude para com os amigos, face a esta situação preocupante, a criação duma
Comissão Parlamentar de Inquérito proposta pelo PCP possui toda a pertinência e
validade, no sentido de esclarecer, investigar os responsáveis e fazer
funcionar a Justiça, assim todas as outras forças políticas estejam de acordo.
Manuel Vilas Boas
domingo, 10 de agosto de 2014
A velha conversa da treta
Uma pipa de massa
O atual presidente da Comissão Europeia em tom peremtório e severo,
como lhe competia, aconselhou o nosso País a aplicar bem os 26 mil milhões de
euros disponibilizados pela União Europeia, no novo quadro de apoio comunitário
que decorre até ao ano de 2020.
Por seu lado, o primeiro-ministro declarou que esta verba ajudará a que
«a economia não esteja nas mãos de meia dúzia de grupos», constatação esta
repentina ou então resultado de qualquer abanão de Bruxelas, pois tem sido prática
corrente governativa o apoio à especulação bolsista, à financeirização da
economia e ao grande capital monopolista.
No entanto, observado o conteúdo do Programa, transparece a ideia de
que afinal as empresas vão receber em média menos cinco pontos percentuais do
que aconteceu durante o período decorrido entre 2011 e 2014, representando
assim um resultado pior com o seguimento das novas regras agora impostas, mas
não surpreendentes, dado terem sido negociadas entre os diversos países
candidatos a este novo apoio, colocando-nos sempre em inferioridade.
Dizem-nos os responsáveis da União Europeia que estes fundos servirão
para «combater o desemprego, impulsionar a competitividade e o crescimento
económico, através do apoio à inovação, à formação e ao ensino em cidades e
zonas rurais», nada que não tenhamos lido anteriormente noutros quadros de
apoio, mas que contraria tudo aquilo que tem sido a política dos sucessivos
governos.
Por seu lado, diz-nos o presidente da Comissão Europeia ainda em
exercício que o acordo de parceria que traz a caminho de Portugal 26 mil
milhões de euros vindos de Bruxelas é a «prova concreta» da solidariedade
europeia, «estou muito confiante face ao futuro de Portugal, a aplicação deste
dinheiro vai consolidar o crescimento em Portugal e a coesão social (urbana e
territorial) e ainda acrescentou que teve um papel importante na dimensão do
cheque, modéstia aparte, está claro.
Todos sabemos o que tem sido a política da União Europeia, falha de
coesão social e com desemprego crescente, mas cada vez mais federalista e
militarista, por exemplo, ao apoiar o golpe nazi-fascista da Ucrânia e também
alguns conhecerão o conteúdo da entrevista de um técnico do FMI, presente em
Portugal há três anos para acompanhar o programa da troika e que alerta para os perigos das «ajudas» quando se
transformam em mais encargos, aliás, uma boa parte da nossa dívida liga-se
também à ineficácia e fracasso das políticas europeias de «ajuda» aos países em
crise e por essa razão a renegociação já há muito tempo deveria ter sido
encetada, revendo as maturidades, os juros e a parte considerada ilegítima,
pois o desemprego, a destruição das condições de vida dos portugueses, o saque
aos rendimentos dos trabalhadores, reformados e pensionistas e o afundamento
económico do País são intoleráveis.
O destino efetivo destes novos fundos constituirá uma dúvida pertinente
na cabeça do comum dos mortais, atendendo aos exemplos anteriores e por essa
razão devemos todos estar atentos, todavia, sempre será de bom senso ter em
conta um velho ditado popular muito conhecido que nos diz «quando a esmola é
muita, o pobre desconfia».
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Movimento de Utentes dos Serviços Públicos denuncia
A ofensiva governamental
contra o SNS
Continuam as denúncias e protestos por todo o País de utentes e
profissionais de saúde em relação às crescentes dificuldades no acesso aos cuidados
de saúde e à falta de condições para o cabal exercício da atividade médica e da
enfermagem.
Restrições na dispensa de medicação mais adequada face à patologia de
cada doente e no acesso a tratamentos, redução de consultas presenciais nos
cuidados de saúde primários, acentuadas filas de espera para intervenções
cirúrgicas, encerramento de unidades ou valências das mesmas integradas no SNS,
falta de profissionais médicos nos centros de saúde ou extensões dos mesmos, falta
de enfermeiros, pressões para redução de prescrição de medicamentos, tudo isto conduzindo
à privação do direito à saúde consagrado no Constituição e, ainda mais grave,
ao falecimento de utentes por falta de prontidão na assistência, devido às
restrições e cortes cegos, com a agravante de mais casos poderem vir a ocorrer,
o que representa um crime grave.
Ao contrário do que afirmam no executivo governamental e nos partidos
que o sustentam (PSD e CDS) que «menos Estado é melhor Estado» ou que a
privatização de empresas e sectores estratégicos, acompanhados pelo subfinanciamento
crónico na Saúde, na Educação, na Segurança Social, não afetam a qualidade e a
capacidade de resposta destes e doutros serviços públicos, tais como,
Transportes, Justiça, Correios, a realidade do dia a dia demonstra exatamente o
contrário.
Estamos perante uma ofensiva com o objetivo de não somente desarticular
o Estado Social, tal como está consagrado na Constituição, mas descaracterizar
e subverter a natureza do próprio Estado e da Administração Pública que lhe é inerente,
seguindo diretivas do capital e comunitárias para mercantilizar as Funções
Sociais do Estado.
No caso da Saúde, o atual ministro e os anteriores sempre afirmaram,
com ar pleno de seriedade, que as medidas por eles tomadas se integram na
perspetiva de defesa do SNS, mas de facto continua a entrega de unidades ou
serviços aos privados, para os quais a Saúde antes de ser um bem essencial ao
ser humano representa uma oportunidade de chorudo negócio e eles já ocupam 40%
do espaço deixado pelo público, dificultando o acesso dos utentes, encarecendo
o sistema, provocando a promiscuidade entre público e privado e fazendo oscilar
a política do medicamento de acordo com os interesses da indústria
medicamentosa ou farmacêutica.
Os utentes conscientes destas realidades, têm resistido e lutado pelos
seus legítimos direitos e interesses e também mostrado solidariedade para com
os profissionais da Saúde, caso da última greve dos médicos e agora nesta
iniciativa dos enfermeiros, na convicção de que um SNS de qualidade, universal,
geral e tendencionalmente gratuito, conforme consagrado na Constituição, só é
possível com a dedicação e profissionalismo dos que nele trabalham e tem sido
prática corrente, mas com condições que permitam um bom desempenho e uma boa
prestação de cuidados à população portuguesa.
05/08/2014
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