terça-feira, 20 de janeiro de 2015
domingo, 18 de janeiro de 2015
sábado, 17 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Não ao terrorismo de Estado, político e religioso
Liberdade de expressão
Os primeiros
dias do novo ano ficam indelevelmente marcados, a nível internacional, pelos
acontecimentos em França que tiraram a vida a várias pessoas, umas dedicadas ao
cartoonismo satírico ofensivo, outras bem conhecidas como terroristas nos
arquivos do FBI, mas que a falta de comunicação entre França e Estados Unidos
não conseguiu levá-los à prisão atempadamente e ainda outras vítimas inocentes
deste crime abominável que a todos indignou.
Este fenómeno
não é, porém, novo se nos lembrarmos dos Versículos Satânicos da autoria de
Ahmed Salman Rushdie autor e ensaísta de origem indiana, condecorado na
Grã-Bretanha onde recebeu o título de «Sir», contudo merecendo da comunidade
islâmica imensa indignação e protesto dado o conteúdo provocatório e pejorativo
do seu livro em relação ao Alcorão, ao profeta Maomé e ao Islão, sendo por isso
proibido de circular em vários países, mas também não esquecemos o caso do
jornal dinamarquês professando ideologia nazi e autor das chamadas caricaturas
de Maomé, consideradas como blasfémia e levando ao fecho da publicação, ou
seja, os muçulmanos reagiram quando a sua cultura e religião foram
vilipendiadas da mesma forma que os católicos também se manifestaram, por
exemplo em Portugal, com fortes críticas e polémicas face ao conteúdo de
algumas obras de José Saramago (O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Caim), nos
quais a interpretação bíblica do autor, embora irreverente e irónica, não
tivesse usado o insulto contra a divindade e religião católicas.
A liberdade de informação é abarcada pela liberdade de expressão e
configura-se pela liberdade de informar, de ser informado e de se informar.
Apesar da sua correlação direta, a liberdade de expressão distingue-se da
liberdade de informação na medida em que esta tem como objetivo a expressão de
factos noticiáveis, onde se torna imprescindível a análise da veracidade dos
mesmos a ser levada ao conhecimento.
No Artigo 38º da nossa Constituição lê-se que «A liberdade de imprensa
implica a liberdade de expressão e criação dos jornalistas e colaboradores, bem
como a intervenção dos primeiros na orientação editorial dos respectivos órgãos
de comunicação social, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou
confessional.
A situação agora
vivida em França suscita algumas perguntas, talvez incómodas para alguns, tais
como: Quem é responsável por manter no desemprego milhões de jovens europeus,
nos países mais desenvolvidos da União Europeia? Quem é responsável pelas
políticas económicas que, em nome da confiança dos mercados financeiros,
perpetua o desemprego e a pobreza entre os naturais e os imigrantes de segunda
e terceira geração? Quem destruiu o desenvolvimento de África com a imposição
do colonialismo e agora do modelo neoliberal, criando o desespero das
populações que hoje se entregam ao tráfico e à morte no Mediterrâneo?
Quem fala do
terrorismo e dos terroristas porque não informa o cidadão comum que o expoente
máximo destas ações, Bin Laden, foi visita do Sr. Bush e que o aliado Arábia
Saudita financia o ISIL (Estado Islâmico) conluiado com Israel na tentativa de
invasão da Síria, estado laico a abater?
O imperialismo
norte-americano, na sua ânsia de hegemonismo e apropriação de posições geo
estratégicas em países fornecedores da matéria-prima denominada ouro negro, invadiu
Afeganistão, Iraque, Líbia, Jugoslávia, aproveitando as alianças reais com a
NATO/UE e precárias com a Al Qaeda para retirar os soviéticos do caminho no
Afeganistão e os sérvios do Kosovo e da Bósnia, lançar Sunitas contra Xiitas,
causando centenas de milhares de mortos, destruição de património histórico e
verdadeira barbárie como todos os dias verificamos.
A situação
internacional encontra-se marcada por ingerências e agressões contra estados
soberanos, instigando ódios religiosos, conflitos étnicos e o advento de forças
de extrema-direita, nazi-fascistas e xenófobas, situação bem patente na
Ucrânia, Grécia, Itália, França e Espanha.
O ataque ao
Hebdo, onde gente claramente provocadora em exagero coabitava com jornalistas
de muito bom, salutar e satírico humor, não foi somente uma expressão de
vingança, mas constitui o resultado daquilo em que se tornou a nossa sociedade,
onde impera um exacerbado individualismo e ceticismo, consumismo frustrado,
culto da vulgaridade, da ignorância e dos «reality shows», tornando-se assim o
alvo predileto da manipulação e do obscurantismo.
O imperialismo
abriu a caixa de Pandora, mas será que vai encontrar no fundo a esperança?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Não ao terrorismo
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
PCP condena atentado em Paris
8 Janeiro 2015
O PCP condena firmemente o atentado ocorrido em Paris na sede do Jornal Charlie Hebdo e expressa a sua consternação e solidariedade ao povo francês.
O PCP salienta que crimes desta natureza não podem ser desligados de uma situação internacional marcada por ingerências e agressões contra Estados soberanos, através da instigação de conflitos religiosos e étnicos e da promoção de forças de extrema-direita, xenófobas e fascistas. Uma realidade que é acompanhada por políticas que aumentam a exploração e a exclusão social, nomeadamente nos países da União Europeia.
O PCP chama a atenção para os perigos de instrumentalização de genuínos sentimentos de indignação para intensificar medidas de cariz securitário que agridem direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e para promover sentimentos racistas e xenófobos que têm alimentado o crescimento da extrema-direita e do fascismo na Europa.
O PCP insiste que o combate a tais crimes exige uma inversão de políticas, quer de âmbito económico e social, quer de relacionamento internacional entre Estados. Exige o fim do apoio político, financeiro e militar dado pelos EUA e países da União Europeia a grupos que espalham o terror e a destruição, nomeadamente no Médio Oriente, bem como o desenvolvimento de políticas de paz e cooperação respeitadoras do direito internacional, da soberania dos povos, da liberdade e da democracia.
domingo, 11 de janeiro de 2015
Mais um Natal do nosso descontentamento
Os dias de hoje
caracterizam-se essencialmente por uma grande instabilidade social e económica
ao nível global, realidade agravada no nosso País por uma governação que nos
indigna pelas injustiças cometidas, pelo empobrecimento e declínio nacional e
pela hipocrisia com que nos tenta convencer do contrário.
Entramos numa
época do ano propícia ao despojamento e à caridade, quantas vezes para alívio
de consciências nutridas pela ganância e sede de poder discricionário,
causadores das maiores desigualdades e ofensas à dignidade do ser humano e aos
seus inalienáveis direitos.
Alguns casos
podem ilustrar com rigor esta situação se nos lembrarmos, por exemplo, das
afirmações públicas do ex vice presidente dos Estados Unidos Dick Cheney que,
sem pejo ou vergonha, disse «eu não tenho nenhum problema», referindo-se à
utilização do programa de tortura contra pessoas inocentes.
Se recordarmos as
invasões do Iraque, da Líbia, do Afeganistão, mais recentemente as tentativas
de incursão na Síria e a situação na Palestina, com o cortejo de centenas de
milhares de mortes (crianças, homens e mulheres), da destruição de património
mundial de incalculável valor e de recursos naturais imprescindíveis à vida
daqueles povos, podemos bem classificar estas atitudes como autêntica barbárie
causada pelo imperialismo estado unidense, com as consequências ainda hoje
visíveis e que não se apagarão tão cedo.
Mas a Europa não
está isenta nesta infernal caminhada e a hipocrisia com que procura evitar a
chegada de imigrantes africanos, milhares dos quais jazem hoje nas profundezas
do mediterrâneo ou são deportados sem dó nem piedade, não é mais do que o
resíduo patético das invasões coloniais levadas a cabo durante séculos que
saquearam e ainda saqueiam o continente africano para que o continente europeu
pudesse manter a sua ânsia de desbragado consumo.
Hoje, em pleno
século XXI, a barbárie continua e torna-se um espetáculo doloroso e deprimente
ver a civilização europeia avançada, de mãos dadas com o imperialismo,
esquecer-se das lições da História que levaram à queda de Roma às mãos dos
germânicos e tártaros, da grande Britânia curvada perante as massas indús,
lideradas por um homem, pequeno de estatura, mas grande de coração e da Rússia
czarista, feudal, opressora e exploradora, libertar-se pela Revolução de
Outubro donde emergiu o homem novo.
Em África,
América Latina, Próximo e Médio Oriente, os povos erguem-se contra o genocídio,
o saque e as ofensas aos direitos humanos e é nessa luta que vão encontrar
forças para a sua libertação.
O caso recente
da libertação dos patriotas cubanos, injustamente presos e julgados nos Estados
Unidos por terem denunciado autores, sedeados em Miami, de ações terroristas contra
Cuba, é uma vitória do povo cubano, dos cinco heróis e das suas famílias, pois
nunca deixaram de denunciar e lutar contra essa injustiça e de reclamar a sua
libertação, mas é também uma vitória da imensa onda de solidariedade que teve
expressão em todo o mundo, nomeadamente no nosso País, onde se realizaram
várias iniciativas do PCP nesse sentido.
O
restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos abre
caminho para o fim do criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro e da
ingerência na soberania desta ilha cubana, a que não são estranhas as votações
na Assembleia Geral das Nações Unidas, sempre favoráveis a esta esperada
decisão.
O Natal deste
ano, embora não nos traga tudo aquilo que desejaríamos para a humanidade,
deixa-nos, no entanto, algumas pistas para encararmos com confiança um futuro
melhor para os povos.
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