terça-feira, 27 de novembro de 2012


O problema dos juros da dívida


No Orçamento de Estado para 2013 está previsto o montante de cerca de 7 mil milhões de euros para pagamento de juros da dívida soberana, verba esta equivalente a 4,3% do PIB nacional português.
A professora Margrit Kennedy, que normalmente escreve no «sítio» Occupy Money, diz-nos na edição de 2012 saída há poucos dias o seguinte, referindo-se aos Estados Unidos: uns espantosos 35% a 40% de tudo que compramos vai para juros, os quais seguem a caminho de banqueiros, financeiros e detentores de títulos, facto este que ajuda a explicar e ilustra bem como a riqueza é sistematicamente transferida do comum dos mortais para a Wall Street, ou seja, os ricos ficam progressivamente mais ricos à custa dos pobres, não pela «ganância» da praça financeira, mas sim por causa da matemática inexorável do nosso sistema bancário privado.  
Diz ainda a professora Margrit, que esta situação poderá constituir uma surpresa para grande parte das pessoas e muitas delas pensam até que, se pagarem os seus cartões de crédito a tempo e não contraírem empréstimos, não estarão a pagar juros, o que não é de todo verdade.
Comerciantes, grossistas, retalhistas e fornecedores, todos eles, ao longo da cadeia de produção, dependem do crédito para pagamento das suas contas, na medida em que antecipadamente pagam pelo trabalho e pelos materiais com que obtêm o produto para venda, o qual será comprado pelo consumidor final e pago a 90 dias, razão pela qual acrescentam juros aos custos de produção que serão transferidos para o consumidor.
No seu País natal a Alemanha, a professora Margrit menciona encargos de juros rondando os 12% para a recolha do lixo, para a água de beber 38% e para o arrendamento da habitação 77%, cálculos estes efetuados na investigação do economista Helmut Creutz, através de publicações do próprio Bundesbank e referentes a despesas de famílias alemãs em bens e serviços de uso diário durante o ano de 2006, salientando, no entanto, que números semelhantes podem encontrar-se nos lucros do sector financeiro dos Estados Unidos no mesmo ano.
Conclui ainda que ativos de bancos, lucros financeiros, juros e dívida, têm estado a crescer exponencialmente, salientando que o crescimento exponencial dos lucros do sector financeiro se verifica à custa dos sectores não financeiros, onde o rendimento cresceu linearmente, na melhor das hipóteses.
Em 2010, 10% da população possuía 42% da riqueza financeira, enquanto que 80% dessa mesma população possuía apenas 5%, significando isto que os 80% pagam os encargos dos juros ocultos que os outros arrecadam e consequentemente o juro torna-se um imposto com carater recessivo que os mais pobres pagam aos mais ricos, inexorável e continuamente, razão pela qual o crescimento exponencial é insustentável.
Esta situação usurária e exploradora só poderia ter um fim com a nacionalização da banca, ou seja, o Estado controlar todo o sistema para evitar a financeirização da economia e eliminar os juros ou reverte-los.
Em termos globais, 40% dos bancos são de propriedade pública e concentram-se em países que escaparam à crise bancária iniciada em 2008 e esses países, os chamados BRIC, Brasil, Rússia, India e China, cresceram economicamente 92% na última década, ao passo que as economias ocidentais continuam a afundar-se.
Foi por esta e outras razões, que a União Europeia esteve em protesto, abrangendo essencialmente países como Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Bélgica, e Luxemburgo, protesto que no nosso País tomou a forma de Greve Geral, uma das maiores e mais participadas de sempre, deixando aos dirigentes a mensagem dum rotundo «Não» às políticas de exploração desenfreada e ao Pacto de Agressão e exigindo a mudança para um novo rumo de crescimento económico e desenvolvimento. 
 
Manuel Vilas Boas, membro da C.C. de Baião do PCP

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Saúde é um direito, não é um negócio

Estamos, infelizmente, habituados a critérios de publicidade falhos de ética e de sensibilidade social que urge denunciar e repudiar, sob pena de nos transformarmos numa qualquer república das bananas.
O nosso País é pródigo em feiras que fazem parte do nosso acervo cultural, constituem também um ato lúdico muito apreciado pela população e têm tomado formas mais recentes de promoção de produtos com origem em determinada região, com vista a atrair forasteiros e animar as economias locais. 
É assim que assistimos às feiras dos queijos, dos fumeiros, do artesanato, dos vinhos, do anho e muitas outras para deleite das nossas tendências gastronómicas, culturais e outras.
Porém somos confrontados agora no nosso Concelho com uma nova modalidade, nunca até então pensada ou vista: a Feira da Saúde, não sabemos se como sugestão para o Ministro da Saúde a acolher no Serviço Nacional de Saúde como panaceia evitando as taxas moderadoras ou se para meramente satisfazer o ego dos promotores desta peregrina iniciativa, a qual, é bom dizê-lo, brada aos céus e não abona nada em seu favor. 
Já nos contentávamos com a miraculosa ideia da construção dum bar no Convento de Ancêde, mas esta enche-nos as medidas. 
   

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Deputados do PCP dirigiram uma pergunta ao Governo PSD/CDS – Passos Coelho/ Paulo Portas através do Ministério das Finanças sobre o futuro da repartição de Finanças de Baião

Para conhecimento dos visitantes deste blogue anexamos o conteúdo de tal pergunta
 
 
 
 

domingo, 30 de setembro de 2012

Algumas fotos da grandiosa manifestação do passado dia 29

A esmagadora maioria da população portuguesa regeita a forma como o atual governo e os anteriores têm regido os destinos do País, pois demonstram falta de sensibilidade e competência para exercerem essa importante e vital função. É pois urgente que abandonem as rédeas do poder, antes que seja demasiado tarde e não haja retorno possível e não basta a mudança de este ou aquele ministro, é preciso uma mudança de políticas e de governo.


sábado, 1 de setembro de 2012

Contra a liquidação do Poder Local Democrático

No passado dia 31 de Agosto, surpreendentemente os habitantes de Ovil foram convidados a pronunciar-se sobre a agregação de Ovil a Campêlo, embora se saiba que este processo de liquidação de freguesias já se encontra em avançado estado.
No entanto e mesmo assim, os ovilenses presentes manifestaram-se unanimemente contra a agregação da sua freguesia por considerarem que os seus legítimos direitos e interesses seriam gravemente afetados.
Também  foram convidados elementos do PCP local os quais, juntamente com a população, também se manifestaram contra esta afronta ao Poder Local Democrático, tendo até apresentado uma moção aprovada por unanimidade.
Em anexo apresentamos o teor da moção, assim como algumas fotos da iniciativa.


     
                                                M O Ç Ã O


Cidadãos da Freguesia de Ovil em Baião, reunidos em Assembleia Extraordinária na sede da respetiva Junta, por convite do Presidente da Assembleia e com a finalidade de analisarem e discutirem o conteúdo da Lei nº. 22/2012 de 30 de Maio, relativa à Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, considerando que:

1 – É unânime na Assembleia a rejeição da agregação desta Freguesia com qualquer outra;

2  - O conteúdo da própria lei não obriga ou veicula a agregação;

3 - A lei traduz-se num ataque ao Poder Local Democrático indo contra os direitos e interesses da população ovilense;


Decidem:

1 - Em consciência manifestarem a sua vontade contra qualquer hipótese de agregação;

2 - Enviar esta Moção à Assembleia Municipal para que a mesma transmita aos órgãos institucionais competentes a vontade aqui expressa.


Ovil, 31 de Agosto de 2012



         Os subscritores: 


sexta-feira, 17 de agosto de 2012


                      Entradas de leão e saídas de sendeiro



Assentando arraiais no nosso País, através do acordo celebrado com PS, PSD e CDS, a troika internacional, pela boca dos respetivos técnicos, desde sempre nos tem habituado a tecer rasgados elogios ao governo português pela forma como tem executado fielmente os mandamentos e ainda pelo desplante e falta de respeito pela população como sempre pensou e decidiu ir mais além.  

Aos elogios de fora responde o discurso interno na mesma linha e salientando com falsidade não existir outro caminho nem tão pouco propostas alternativas ao programa em curso que, como todos bem sabemos, nos está a empobrecer, a causar miséria na população e colocar em causa a nossa soberania, pois estas «fanfarronadas» não encontram no dia a dia dos portugueses qualquer semelhança com a realidade, bem pelo contrário, a receita conduz o doente não para a cura, mas para o agravamento da doença e a sua morte prematura.

E senão vejamos: pelos dados disponíveis ao comum dos mortais, mesmo não possuindo diploma conseguido em três penadas, o desemprego aumentou em vez de diminuir e as receitas fiscais diminuíram em vez de subir; a dívida pública aumentou, situando-se nos 190 mil milhões de euros, representando 111,7% do produto interno bruto (PIB) e colocando o nosso País na terceira posição mais elevada de endividamento na União Europeia, logo a seguir à Grécia e à Itália; o défice, ai Jesus deste e dos anteriores governos e à sombra do qual tudo devia ser sacrificado, vai ser excedido em larga escala, com os portugueses a sofrer na pele o resultado; a economia não cresce, mantendo-se em compasso de espera; o saque das parcerias público privadas ao erário público, a manutenção das mordomias aos antigos detentores de cargos públicos e, em muitos casos, a sua «passagem» para o sector privado com ordenados escandalosos, continuam e depois dizem que não há dinheiro para a Saúde, Educação, Transportes, Segurança Social; a Banca não apoia as pequenas e médias empresas, apesar de ser a grande beneficiária dos dinheiros da Europa connosco; todos estes factores e outros, tais como, a estagnação das pescas, agricultura e boa parte da industria, representam a realidade do nosso País nos dias de hoje e, mesmo assim, sendo considerados como a aluno bem comportado da União Europeia, porque carga de água é que não conseguimos chegar com o pé à pegada e pelo menos melhorarmos a nossa prestação? Ou não somos o tal bom aluno e existem alternativas a estas políticas, ou estamos a ser alvo duma colossal mentira externa e interna.

Pode, porém, acontecer que ambas as alternativas sejam verdadeiras, o que parece ser o pensamento mais avisado e, nesse sentido, a única solução é arrepiar caminho urgentemente, pois amanhã pode ser tarde.

Nesse sentido e já que nem com o Presidente da República podemos contar, face ao seu alheamento ou alinhamento com a situação atual e o seu esquecimento da Constituição, somente nos resta mandarmos «lixar» o governo e o seu líder que, preocupado com as eleições mentiu antes delas ao prometer o que sabia não ia cumprir, mente agora sobre a estado da Nação, ao afirmar que estamos no bom caminho, alinhado com a troika internacional, e continuará a mentir até ao fim.

Acabaram as entradas de leão, pois as saídas de sendeiro estão a conduzir-nos por becos sem saída, demonstrativos do total falhanço das medidas de fora a que as de dentro ainda aceleram mais a queda no abismo.   

Manuel Vilas Boas

sexta-feira, 13 de julho de 2012

NÃO AO ENCERRAMENTO DA SEGURANÇA SOCIAL DE BAIÃO


                              Ao Povo de Baião



            Tal como fizemos em 1 de Agosto de 2001 e 30 de Maio de 2002, voltamos a afirmar que somos frontalmente contra o encerramento da Delegação da Segurança Social de Baião, sedeada na Freguesia de Campelo.

Em obediência cega às imposições da «troika» internacional, o governo Passos Coelho/Paulo Portas com a cumplicidade do PS, demonstrando uma total falta de sensibilidade social e moral e até de respeito para com os portugueses, ainda quer ir mais longe com o seu Pacto de Agressão e continua a encerrar serviços públicos essenciais e a efetuar cortes nos direitos e interesses da população nacional.  

Como temos verificado, Baião não foge à regra, apesar dos discursos otimistas de responsabilidade camarária PS e da inoperância duma oposição inexistente PSD.

A Delegação da Segurança Social sedeada em Campelo e inaugurada no início dos anos 80 tem prestado no decorrer dos anos um serviço de qualidade e essencial à população baionense, pelo que o encerramento possível desta instituição pública representa não só uma enorme preocupação para todos, mas um «crime político» que o atual governo cometerá contra o povo de Baião.

Tal como fomos contra os encerramentos das extensões de Saúde de Ribadouro e de Mesquinhata ocorridos em 1990, também em Janeiro de 2001 nos insurgimos contra o encerramento da Loja da EDP em Campelo, assim como em 2010 contra o encerramento da delegação da Segurança Social e privatização dos CTT da Vila de Santa Marinha do Zêzere.

Porque não temos rabos-de-palha e pertencemos a um Partido de princípios, identidade, convicções e palavra, sobra-nos toda a autoridade moral e política para apelarmos ao Povo de Baião para continuar vigilante e lutar, porque o encerramento do Tribunal, da Repartição de Finanças, a extinção de Freguesias e outros serviços públicos essenciais fazem parte integrante da agenda política do atual governo e dos seus apoiantes.

 

PCP/Baião, 10/07/ 2012



PCP- Um Partido de princípios e convicções e ao serviço do Povo de Baião